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terça-feira, 20 de março de 2018

Carlos Filipe Saraiva na escola


Carlos Filipe Saraiva estará amanhã, cerca das 12h00, na nossa escola numa sessão com alunos de 9ºAno. Apresentará o seu livro "Drogas: Conhecer Para Prevenir". 
"Licenciado em Estudos Europeus no ano 2000 e em Psicologia Clínica desde 2007 pela Universidade Fernando Pessoa (UFP). Realizou estágio académico no departamento de Psicologia Clínica do Estabelecimento Prisional Especial de Santa Cruz do Bispo (EPESCB). Redigiu tese monográfica intitulada “Psicopatia e criminalidade violenta: Estudo de caso” – efetuada no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira (EPPF). A partir de 2009 iniciou as suas funções como psicólogo clínico, em contexto prisional, no Estabelecimento Prisional do Porto (EPP), onde realiza intervenção psicológica individual e grupal à população reclusa, desviante, toxicodependente. Desde 2012 encetou a sua colaboração como psicólogo em contexto clínico organizacional e privado. Possui experiência como formador em cursos financiados e não financiados.

Ministrou palestras no ensino superior e secundário versando (no último) a prevenção de consumo."                                                        Informação retirada daqui.

Carlos Filipe Saraiva é blogger e pode ser lido aqui.

"Drogas: Conhecer Para Prevenir" "é o resultado da experiência do psicólogo clínico em contexto prisional e da sua intervenção clínica com população desviante, dependente e ex-dependente. Visa elucidar sobre o fenómeno da dependência, incidindo nas principais dependências da atualidade. Aborda a evolução histórica das "drogas", características e efeitos. Incide nos aspetos psicológicos da dependência, caraterísticas de personalidade do consumidor, alterações e consequências cerebrais, bem como nos relatos pessoais de reclusos que lidam e lidaram com a dependência. 

Por fim, na parte preventiva, foca a atenção nos fatores de risco e de proteção, identificação dos sinais de risco, estratégias de comunicação para com os filhos. Convida os leitores a perceberem o fenómeno da dependência para que de, forma consciente, sejam dotados de ferramentas e conhecimentos que os capacitem para prevenir eficazmente os respetivos consumos." 
Informação retirada daqui.


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Mia Couto: A tribo de contadores de histórias




    
Você tem contado histórias para seus filhos? Histórias de sua família, de sua vida, de seus livros favoritos? É difícil falar sobre a importância das narrativas nas vidas das crianças, mas existe alguém capaz de discutir a arte da contação e da escuta com a poesia necessária para esta bela tarefa: Mia Couto.

Nesta entrevista especial, ele foca neste que é um dos seus mais recorrentes e adorados assuntos, o valor das histórias na infância: "quando a criança pede ao pai, à mãe ou a alguém que lhe conte uma história, ela nunca é exatamente repetida. Há ali uma recriação e a criança percebe que esse momento a torna também criadora."

Gostaria de perguntar sobre o seu processo de escuta. De que forma começou a escutar essa oralidade que transpõe para a palavra escrita?
Mia Couto: Começou em casa, quando começa tudo. Havia ali essa tentação de escutar e vivia-se em um ambiente de histórias. Meus pais, sendo imigrantes portugueses, eram contadores de histórias e sofriam daquele mal da saudade, então tinham de reinventar o país que deixaram. As primeiras grandes viagens que fiz foi por meio da escuta dessa narração. Também havia outra coisa: eu era o que ficava calado, os meus irmãos falavam. Digamos que percebi que havia quase uma repartição de funções. Cabia a mim escutar, e isso foi uma grande escola.

Quando o senhor começou a achar que era hora de transpor essas vozes para a escrita?
Mia Couto: Essa África onde eu vivo é uma sociedade que escuta. As pessoas escutam os outros e, na conversa, há uma distribuição de tempos: o tempo da fala e o tempo da escuta, como se por turnos as pessoas soubessem o que têm de fazer. 
Acho que houve um momento em que eu, já jornalista, fui tentado a escrever as histórias que escutava. Essas histórias estavam tão vivas, tinham tanta força, que pediam que fossem transportadas dessa oralidade para a escrita. 
Mas aí percebi que a própria escrita tinha de mudar. Aquela que eu sabia e reconhecia não acomodava essa riqueza, essa coloração e, sobretudo, a música, a prosódia. Comecei a procura de uma escrita que fosse plástica e permitisse essa inundação da oralidade.
Fiz um primeiro livro (Vozes Anoitecidas, 1987) já muito influenciado por um angolano chamado Luandino Vieira, que abriu portas à oralidade da sua cidade, Luanda, e li uma entrevista em que ele fazia referência à influência de João Guimarães Rosa em seu trabalho.
Então, fui à procura de Guimarães Rosa. Nos meus livros seguintes, como Estórias Abensonhadas (1994), já tive esse encontro, que realmente foi importante porque havia ali uma legitimação: é possível fazer isso, é possível deixar entrar essas vozes.

Em sua conferência ao Fronteiras do Pensamento, Edgar Morin disse que a poesia da vida é mais importante que a felicidade. O senhor concorda? Acha que falta poesia no mundo? 
Mia Couto: Provavelmente a felicidade implica sempre uma poesia do mundo. Não sei o contexto dessa frase, mas dita assim parece que há uma dicotomia entre felicidade e poesia.
Não vejo outra maneira de reconquistarmos um sentido de felicidade que seja pleno, que não vá por esse caminho de nos restituir um olhar poético. O olhar poético não é alguma coisa que tenha a ver com a poesia escrita ou como gênero literário, mas tem a ver com aceitarmos que essa linguagem dos sonhos é uma linguagem válida, que nos ajuda a ler o mundo.

O senhor mencionou o perigo de entregar a máquinas -- como televisão, computadores e tablets -- a tarefa de contar histórias às crianças. Por que isso é perigoso e como reencontrar o tempo para contar histórias?
Mia Couto: Acho que é perigoso, porque contar de histórias não é simplesmente transmitir de alguma coisa que já está feita. No momento em que se conta a história a alguém, não há ali uma escuta mecânica, mas sim qualquer coisa que cria, sobretudo, a construção de uma relação entre pessoas e, obviamente, a máquina não pode fazer isso.
A construção dessa relação interpessoal e do apetite por ela marca: é como se a história existisse só para criar essa rede, essa capacidade de estarmos juntos, de escutarmos, de sermos outros.
Claro, há um momento em que a máquina pode estar ligada e cumpre a função de “anestesiar" a criança, mas falo é da ausência do resto. A máquina passa a ser a exclusiva ligação com a fantasia, e a criança é colocada desde o princípio só como consumidora de uma imagem que já está feita em definitivo e ela pode voltar e ver da mesma maneira mil vezes.
Mas quando a criança pede ao pai, à mãe ou a alguém que lhe conte uma história, ela nunca é exatamente repetida. Há ali uma recriação e a criança percebe que esse momento a torna também criadora.

Entre as suas identidades está a de biólogo, e o senhor já classificou a biologia como uma “indisciplina científica". Como essa identidade entra em sua literatura?
Mia Couto: De uma forma que é absolutamente vital. Está onipresente aquilo que a biologia me entrega como uma linguagem e uma maneira de escutar.
A biologia prolongou esse apetite que tenho de escutar o mundo e de perceber que há ali vozes que tinham sido anuladas por certa visão antropocêntrica de que somos nós os únicos que temos alguma coisa a dizer. A maneira como abracei a biologia foi nessa procura de perceber linguagens e aprender códigos.
Hoje, sem ser de uma maneira metafórica, escuto a árvore, a planta, o bicho, porque de fato todas essas entidades querem dizer qualquer coisa além, não é? E por isso assumem cores e cheiros e diferenças de forma que me agrada muito escutar.

A literatura pode ser uma ponte para nos ajudar a refazer esses encontros também do ponto de vista da natureza?
Mia Couto: Sem dúvida. Assim como a biologia, porque é também uma narrativa que tem feito descobertas que deviam ser mais conhecidas nessa educação para nos ajudar a descentrar-nos de nós próprios.
Por exemplo, as recentes descobertas genéticas que mostram o quanto temos de não humano, o quanto de nosso material genético não é exatamente humano, o quanto da nossa composição celular e da constituição física devemos a outros que estão dentro de nós, e que não são tão outros assim, porque, se os tirássemos, morreríamos em segundos…
Dizemos que essas bactérias e esse mundo de micro-organismos são meros hospedeiros que estão dentro de nós. Mas percebermos que eles não são simplesmente hospedeiros, são de tal maneira simbióticos que nós somos eles, é uma espécie de cambalhota e de reviravolta do ponto de vista quase filosófico na maneira que apreendemos o mundo.

Por que a escolha por esse caminho chamado literatura?
Mia Couto: Não escolhi a literatura, escolhi a escrita, que é provavelmente outra coisa. A construção que fizeram da escrita me parece que a complicou muito, a intelectualizou e construiu um edifício com vários andares e hierarquias. Quando começamos a escrever e a querer usar a escrita do ponto de vista criativo, estamos muito longe da escolha dessa grande construção e dessa grande estrutura que é a literatura.
Eu sou salvo por ser várias coisas, e sempre que tenho de enfrentar “a" literatura, que depois se manifesta nessas coisas muito solenes dos congressos e das conferências, puxo logo o chapéu de biólogo…
Esse universo me apraz, mas na maior parte das vezes é uma grande chatice. Estão ali os grandes estudiosos, os filósofos, os próprios escritores que, algumas vezes, dão demasiada importância a si mesmos e àquilo que fazem, e estou sempre a pensar qual o momento que tenho para escapar ( risos). Esse discurso parece uma arrogância disfarçada de humildade, mas na verdade não sinto que pertenço a essa construção. Sou mais de uma pequena tribo que é a dos contadores de histórias, e podem fazer isso mesmo sem usarem da escrita.

Entrevista retirada daqui.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O elefante acorrentado


"Depois do alimento, do abrigo e da companhia, as histórias são a coisa de que mais precisamos na vida." 
Philip Pullman







O elefante acorrentado é uma história  que faz parte da obra "Deixa-me que te conte". de Jorge Bucay.

“— Não consigo — disse-lhe. — Não consigo!
— Tens a certeza? — perguntou-me ele.
— Tenho! O que eu mais gostava era de conseguir sentar-me à frente dela e dizer-lhe o que sinto… Mas sei que não sou capaz.
O gordo sentou-se de pernas cruzadas à Buda, naqueles horríveis cadeirões azuis do seu consultório. Sorriu, fitou-me olhos nos olhos e, baixando a voz como fazia sempre que queria que o escutassem com atenção, disse-me:
— Deixa-me que te conte…
E sem esperar pela minha aprovação, o Jorge começou a contar.
Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Durante o espectáculo, a enorme criatura dava mostras de ter um peso, tamanho e força descomunais… Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.
No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um ani­mal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.O que é que o prende, então? Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.
Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.
Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…
— E é assim a vida, Damião. Todos somos um pouco como o elefante do circo: seguimos pela vida fora atados a centenas de estacas que nos coarctam a liberdade.
Vivemos a pensar que «não somos capazes» de fazer montes de coisas, simplesmente porque uma vez, há muito tempo, quando éramos pequenos, tentámos e não conseguimos.
Fizemos, então, o mesmo que o elefante e gravámos na nossa memória esta mensagem: «Não consigo, não consigo e nunca hei-de conseguir.»
Crescemos com esta mensagem que impusemos a nós mesmos e, por isso, nunca mais tentámos libertar-nos da estaca.
Quando, por vezes, sentimos as grilhetas e as abanamos, olhamos de relance para a estaca e pensamos:
Não consigo e nunca hei-de conseguir.
O Jorge fez uma longa pausa. Depois, aproximou-se, sentou-se no chão à minha frente e prosseguiu:
— É isto que se passa contigo, Damião. Vives condicionado pela lembrança de um Damião que já não existe, que não foi capaz.
A única maneira de saberes se és capaz é tentando novamente, de corpo e alma… e com toda a força do teu coração!”



quinta-feira, 30 de março de 2017

Semana da Leitura


Paulo Santos, o apicultor, tornou-se escritor e veio, juntamente com a contadora de histórias, Sónia Aguiar, apresentar a "Cuscas no Castelo de Guimarães". 
Cuscas é uma pequena abelha muito curiosa e, claro, trabalhadora. Todas as abelhas são trabalhadoras! Com os seus amigos Carlota e Vasco vive uma aventura singular. Ela decide seguir os meninos de uma escola numa visita ao Castelo de Guimarães!!
Lendo este livro, aprendemos não só a conhecer melhor as abelhas, como a saber um pouco mais acerca de alguns monumentos de Guimarães.


Primeiro aconteceu: 

A HISTÓRIA!!







Depois:

A OUTRA HISTÓRIA, A REAL, A DAS ABELHAS!











Aprendemos quão vitais são as abelhas para a nossa vida. Aprendemos que têm cinco olhos, seis patas, que há as abelhas operárias (que trabalham), os zangãos, cuja função é fecundar a rainha, e a rainha que comanda toda a colmeia e é a única que põe os ovos.
Sabemos, agora,  como as abelhas são importantes para a nossa existência. por isso mesmo partilhamos da opinião de Eintein: 




A sessão com Sónia Aguiar e Paulo Santos juntou livros e abelhas! Não podemos, pois, deixar de rematar este relato com a seguinte frase (obrigada, Paulo Santos por me ajudar a descobri-la): 



quarta-feira, 29 de março de 2017

Semana da Leitura

A Semana da Leitura começou! 


O professor João Carlos Brito esteve, neste primeiro dia , com alunos do 9º Ano, numa sessão subordinada ao tema "Em PORTOguês". Apresentou o seu novo livro "Dicionário de calão do Porto", um livro sobre palavras e expressões que são típicas do Porto, apresentando a sua origem e explicação.
Foi uma sessão interessante e divertida que terminou com a leitura da história "O Capuchinho Vermelho" à moda do Porto.





Neste dia, duas alunas da Universidade Lusófona estiveram presentes nesta sessão e entrevistaram o escritor.




Para saber mais sobre o livro aceder aqui, e aqui.



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

João Manuel Ribeiro visita-nos!






João Manuel Ribeiro esteve na nossa escola no primeiro dia da Feira do Livro. Foi recebido pelos alunos dos 1º e 2º Ciclos, que o ouviram falar da sua vida, das suas experiências, da sua obra
João Manuel Ribeiro gosta de ser conhecido como poeta, mais do que escritor. Autor de uma vasta obra, é na poesia que se realiza.
Obrigada pela sua presença.

sábado, 12 de novembro de 2016

Feira do Livro na escola

No próximo dia 28 de novembro, as nossas escolas de Jovim e Foz do Sousa e do Outeiro, vão receber o escritor João Manuel Ribeiro.



Esta visita decorrerá durante a Feira do Livro, que realizará na EB de Jovim e Foz do Sousa entre os dias 28 e 30 de novembro.
O evento disponibilizará uma floresta de livros ansiosos por partir em novas aventuras, com novos donos, novos olhares...
A BE, em parceria com o grupo de Português, oferece magia nestes dias.



quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"Não podemos dispensar os livros."



Isabel Alçada, a escritora e antiga Ministra da Educação, foi a primeira coordenadora do Programa Nacional de Leitura. Agora, publica em livro um balanço e afirma que "não podemos dispensar os livros". Ouça a entrevista na TSF, aqui.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Escritores online





Está online a maior e mais completa base de dados sobre escritores contemporâneos de Língua Portuguesa. 
Aqui, poderão aceder  a

  • . Informações biográficas sobre os autores
  • . Fotografias
  • . Ligações para os seus espaços na Internet (site, blogue e redes sociais)
  • . Obras publicadas, respetivas sinopses e capas
  • . Excertos de obras
  • . Comentários de leitores
  • . Notícias em permanente atualização
  • . Entrevistas
  • . Vídeos enviados pelos escritores.




terça-feira, 29 de março de 2016

Exposição de caricaturas de escritores portugueses na Semana da Leitura

Com caricaturas cedidas por “Recortar palavras – Associação Artística, Literária, Educacional e Lúdica", foi montada, pelo professor Fernando, com ajuda do Sr. Alves, a exposição de caricaturas de escritores portugueses para a infância. Esta exposição constituiu o apoio visual da Semana da Leitura.














O placard exterior da Biblioteca, foi, também, decorado pelo " artista de serviço", o nosso colega Fernando.





terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Charles Perrault homenageado pela Google.







Hoje, a Google homenageia Charles Perrault no 338º aniversário do seu nascimento. Escritor e poeta francês do século XVII, escreveu muitos livros embora tenha ficado conhecido por um: Contos ou histórias dos tempos idos ou Contos da mãe gansa. O livro continha apenas oito contos de fadas, mas ficou conhecido internacionalmente. Efetivamente, toda a gente conhece "a Bela Adormecida", "O Polegarzinho", "O Capuchinho Vermelho", "Barba Azul", "O Gato das Botas", "A Gata Borralheira". 
Charles Perrault é, por muito, considerado o Pai da Literatura Infantil.
Para mais informações, clicar aqui.
O livro "Contos de Perrault" pode ser requisitado na Biblioteca.






segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Uma noite de sentimentos!









Perante um auditório repleto de amigos, deu-se início à cerimónia de apresentação do livro de Adelina Santos, "Bocados de mim".
O professor Emanuel Mesquita deu as boas vindas a todos os presentes, congratulando-se e manifestando o prazer e a honra em acolher na nossa escola este acontecimento. Adelina Santos, a Lininha, funcionária da escola desde 1997, foi considerada pelo professor "a voz da escola". 




Falou, seguidamente, o professor João Carlos Brito, editor da obra, que referiu o prazer que sentiu em publicar o livro "Bocados de mim".




Foi a vez do Presidente da União das Freguesias de Foz do Sousa e de Covelo que manifestou a sua alegria em estar presente neste evento pela consideração que a Lininha lhe merece.




Também a Presidente da Direção do Agrupamento interveio, salientando o seu regozijo por poder estar presente neste evento e reforçando a disponibilidade de o Agrupamento acolher outras iniciativas deste tipo.




Finalmente, o poeta Carlos Lacerda, amigo da Lininha, fez a apresentação do livro "Bocados de mim". Lendo, ou dando a ler os poemas da poetisa, Carlos Lacerda delineou o retrato de Adelina Santos. "Silêncio", "Eu sou um livro", Sinto-me", "Rasgo as palavras", "Quem me dera", "Escrevo-me" foram os poemas selecionados que revelaram uma  pessoa que transmite, através da sua escrita, uma mensagem de quem está na vida com "dignidade, simplicidade e verdade".
Carlos Lacerda, poeta e "diseur" de poesia, arrebatou os presentes com a forma vibrante e sentida como leu/recitou as palavras da nossa poetisa.
Foi uma sessão cheia de emoção e sentimento que encheu de alegria todos os presentes.






A noite terminou com um Porto de Honra.











RASGO AS PALAVRAS

Rasgo as palavras num grito mudo,
com o gume diamantino do silêncio,
estilete cristalino de névoa e lume,
que as corta, separa e une.


Esventrando-as da semente rara e do conteúdo,
num entorno cálido de seda e veludo.

Desfaço-as em gomos de sílabas vãs,
os limbos e os caules,
a polpa das frases, como fossem maçãs.

Entre os dedos, aperto-as, sinto-as a sangrar,
veias jorrando a dor,
sem as puder estancar...
bagos maduros de romãs,
que fervem dentro da pele
nos traços das linhas, nos contornos das letras,
rasgo os sentidos, com o raio furtivo dos cometas...
Nas alamedas das grandes delongas,
onde os corações se perdem no excesso das coisas,
descoso a fímbria da escrita,
o tecido amorfo onde me deito,
com a saudade a ferir o peito...
Rasgo as palavras,
sumo espesso a escorrer amargo doutras bocas,
desfaço-as do invólucro, pedaços de rochas duras,
que parto em bocados, em excessos fervilhando num mosto de loucuras.
Adelina Santos



Eu sou um livro

Eu sou um livro
cansada de tanto esperar
esquecida na prateleira da vida
sonhando ser escolhida,
favorita de alguém,
sentir o calor amoroso de umas mãos a me foliar,
descobrindo quem sou...


Já tenho folhas amarelecidas, de tanto ser esquecidas,
de não serem lidas, nem escritas por ninguém.

as estações do tempo foram passando carregadas de dor, solidão,
emprestando-me os seus lenços de assoar,
secando as lágrimas de cada adeus
no relógio apreçado da despedida ao seu passar.

Minhas páginas já um pouco amarrotadas,
escritas com a pena dos meus nadas,
falam de desamores, desprezo e desdita
desta minha existência lavrada de medo, solidão,
as linhas da minha mão se riscam de desilusão,
em linhas cruzadas do meu destino,
sem rumo neste meu caminho,
estrofes desbotadas, notas desafinadas sem melodia, sem canção

Murcham minhas flores, rosas, tulipas, orquídeas jasmim,
desfolham suas pétalas sequiosas, famintas no meu jardim,
neste livro onde me escrevo,
Me perco e elevo,
nas metáforas dos meus dias,
nas elipses, nas anáforas, acesas sinestesias,
onde me venho falar,
povoando de mim os meus dias.
Sou um livro cheio de nadas,
encadernado com as noites vazias,
gélidas madrugadas,
capas cozidas com trémulos dedos,
pintadas de saudade, onde guardo os meus segredos.
Sim, sou um livro,
com muito para contar,
histórias tão tristes, que fazem chorar,
mas também poemas de amor,
paixões em flor,
esmagadas pelos vendavais do meu terror.
Aqui me desnudo das penas e das máscaras,
dos sorrisos forçados, dos lamentos guardados,
estiletes afiados que me rasgam por dentro,
os sentidos escorrem sangrando num corte cruel,
cinzelando o meu ser,
esse grito aprisionado em mim,
que jorra como lava ardente para o papel.
Sim, eu sou um livro,
maldito, proibido, cheio de defeito,
marcado de marginalização, tão sem graça e arrepiante,
para quem olha, desdém e passa,
mas onde se iluminam pensamentos, se descartam os amantes,
se traçam sonhos, esperanças,
onde ainda bate humanamente um coração.
Adelina Santos