quinta-feira, 9 de março de 2017

O Som dos Livros




Em Histórias nas nuvens, no lado direito,  foi colocado mais um link para "O Som dos Livros", um sítio onde se pode entrar e ouvir uma história.

"“O Som dos Livros”, é um novo projeto da Rede de Bibliotecas de Tondela, que em parceria com a Rádio Emissora das Beiras, promove semanalmente a leitura e procura incrementar o gosto pelos livros.

Através das ondas da Rádio, as histórias vão para o ar todas as quartas-feiras, pouco depois das 9 horas da manhã, com repetição aos sábados, entre as 12 e as 13 horas."

quarta-feira, 8 de março de 2017

GRANDE COMÍCIO!

Tem início, hoje, o primeiro comício para a eleição do melhor livro! No auditório, pelas 10.00h, os alunos do 6º Ano irão defender a sua dama, como quem diz o seu livro!
E, pela amostra, a "luta" vai ser renhida!!! 




Dia Internacional da Mulher


MULHER


A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

ARY DOS SANTOS

terça-feira, 7 de março de 2017

Concurso Nacional de Leitura - obras selecionadas para a 2ª Fase

As obras selecionadas para a 2ª Fase do Concurso Nacional de Leitura para o 3º Ciclo, este ano, são


  • "Bicicleta à chuva" de Margarida Fonseca Santos


"Uma História sobre Bullying, Coragem e Amizade

Crescer é um desafio enorme. Mas às vezes é difícil decidir que caminho devemos seguir. A Escolha É Minha é uma coleção sobre as opções que tens de tomar todos os dias com histórias de vida contadas por jovens como tu. Esta história, Bicicleta à Chuva, podia bem ser a tua ou quem sabe a de alguém que conheces.
O Jaime carrega um enorme segredo: um grupo de rufias, os Alcaides, toma conta da sua vida de muitas maneiras, deixando-lhe o corpo e a mente com marcas difíceis de apagar.
O Valdomiro, o chefe dos Alcaides, luta para, de alguma forma, conseguir ser importante naquele bairro tão complicado.
Um dia, em frente à paragem do autocarro, o Jaime vê uma bicicleta antiga encostada ao muro de pedras, e desenha-a. Cai uma chuva miudinha, mas o dono da bicicleta, o Joaquim, não se incomoda com isso, e interessa-se por aquele desenhador.
Nasce assim uma amizade capaz de revolucionar a vida do Jaime e de muitos outros. Queres saber como? Então, vem daí!

Um livro tão comovente e emocionante que os mais novos não vão conseguir parar de ler!

Livro recomendado pelo  Plano Nacional de Leitura para o 3º Ciclo."

  • O pintor debaixo do lava-loiças" de Afonso Cruz 



"A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro- Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças."


"O livro tem apenas 170 páginas e muitos bonecos pelo meio. Olhos, muitos olhos, e mais uns quantos semelhantes ao da capa. Mas não se trata de um livro infanto-juvenil. A história em si baseia-se num facto real - a família do autor teve um pintor judeu escondido debaixo do lava-loiças durante meses, no decurso da II Guerra Mundial - mas a vida do pintor é ficcional.
Jozef Sors nasce numa grande casa do império Austro-Húngaro, filho do mordomo e de uma engomadeira, nos finais do século XIX. O proprietário da casa é Moller, um coronel do exército, que também tem um filho de tenra idade e logo decide contratar um precetor para tratar da educação de ambos, democraticamente. Ao contrário do que seria de esperar, os rapazes não se tornam amigos: Wilhelm é um leitor compulsivo, que considera que "a última página de um livro é a primeira do próximo", tal como os fumadores inveterados acendem um cigarro no outro; Jozef, por seu turno, é um desenhador frenético que, desde que aprendeu a pegar num lápis, não faz outra coisa senão desenhar em papéis, paredes, terra ou até em pensamentos; Havel Kopecky, o precetor, entende que o mais importante é ensinar-lhes filosofia desde cedo.

Um mordomo que não entende metáforas e abomina armas, um coronel sensível que por vezes enfeita o cabelo com flores, a menina Frantiska que mora na casa vizinha e que adora que lhe empurrem o baloiço enquanto concebe estranhas teorias, são algumas das personagens inverosímeis que influenciam o jovem Jozef, também ele atreito a elaborar uma teoria sobre "o problema da dispersão e a lei de Andronikos relativa à árvore de Dioscórides". Complicado? Nem por isso, já que adolescentes cheios de certezas teóricas nunca faltaram, nem faltarão. Até ao pintor se esconder debaixo do lava-loiças de um fotógrafo da Figueira da Foz, pois, só várias páginas depois e muitos anos volvidos...

O livro é muito imagético e recheado de metáforas, onde se sucedem frases sentenciosas e de uma certeza inabalável, para nos capítulos seguintes descobrirmos que, afinal, certezas e teorias também podem cair por terra, mesmo que já seja tarde para emendar o engano. Não se trata da defesa desta ou daquela "verdade", mas de sintética, ingénua e quase poeticamente traçar a linha dos pensamentos de um ser humano, à medida que cresce e evolui. Surrealista, também!

Citações:

"- Parece-me uma grande felicidade que, quando se olhe para o mundo, pareça sempre que é a primeira vez que o fazemos."

"As esquinas são propícias às cervejarias, pois parece que chamam clientes de um lado e do outro, fregueses perpendiculares que se cruzam a meio de uma cerveja."

"- Somos mesmo esquisitos: a escuridão cega-nos e a luz também. Os olhos fechados deixam-nos sozinhos. Os olhos abertos mandam-nos para a prisão."

"Só sobrevivemos numa corda muito fina estendida sobre um abismo. Todo o ser vivo é um equilibrista. Todo o ser vivo é um mau equilibrista. Acabará sempre por cair." 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Concurso Nacional de Leitura - Fase regional



"A fase regional do Concurso Nacional de Leitura, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, já arrancou. Pelo 11º ano consecutivo a Câmara Municipal do Porto/Biblioteca Municipal Almeida Garrett organiza a 2ª fase do Concurso Nacional de Leitura, com uma rede ampla de parceiros, como a Direção Geral do Livro, dos Arquivos e Bibliotecas, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura.
Este ano, a fase é regional, e engloba 514 participantes de 17 municípios da Área Metropolitana do Porto - 360 alunos do 3º ciclo e 154 do ensino secundário. Estão inscritas 126 escolas e esta recetividade enorme por parte das escolas, alunos, professores e professores bibliotecários muito nos entusiasma e orgulha. A responsabilidade e exigência é muito elevada. O espírito de equipa que tem caracterizado o CNL do Porto tem sido o ingrediente fundamental. Também por isso, e porque vivemos tempos muito complexos, o tema que selecionamos este ano foi a “Esperança”.

As provas e programa paralelo irão decorrer no dia 10 de maio de 2017, na Biblioteca Almeida Garrett, nos jardins do Palácio de Cristal. Posteriormente, serão enviadas informações sobre o programa, as regras gerais, etc. Os livros que a equipa da Biblioteca Almeida Garrett selecionou de leitura obrigatória para cada ciclo de ensino foram:

3º ciclo
Bicicleta à chuva – Margarida Fonseca Santos
O pintor debaixo do lava-loiças – Afonso Cruz
Secundário
O meu país inventado – Isabel Allende
Aparição – Vergílio Ferreira

O tema, na verdade, é tão amplo quanto complexo. Dentro da esperança podemos compreender a procura de nós próprios, a valorização da pessoa na sua liberdade de ser. Em todas estas obras, e de alguma forma, o narrador/escritor transcende os factos através da arte, seja por via da palavra, da escrita, seja por via da ilustração ou da pintura. A esperança vem muitas vezes em contraposição pela superação de inúmeros contratempos, silêncios, dores, angústias ou ruturas. Importante para nós é que a leitura destas obras seja também uma celebração da vida, da interrogação, do diálogo, da comunicação, de abertura ao(s) outro(s) e a si próprio. Esperamos, assim, que a 11ª edição do CNL no Porto seja, uma vez mais, uma grande festa do livro e da leitura, uma enorme comunidade inter-geracional de leitores."

Retirado do email enviado pela Biblioteca Almeida Garrett (BMAG)


Para lembrar os alunos selecionados na 1ª Fase que representarão a nossa escola na BMAG, em maio, ver aqui.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Da felicidade que vem nos livros.



Francisco José Viegas 

"Há livros que resumem vidas inteiras. E há livros que nos devolvem fragmentos da nossa própria vida – pedaços que já tínhamos perdido sem esperança de os reencontrar – mesmo aqueles que já tínhamos esquecido.

De cada vez que penso “nisso”, penso também nos lugares onde fui feliz com os livros e, de entre esses dois lugares, elejo dois: o Douro, no Verão quente à beira do rio; e numa das mais belas bibliotecas que visitei na infância: uma carrinha Citroen da Fundação Calouste Gulbenkian que, às quartas-feiras, religiosamente, estacionava no largo principal da aldeia onde eu passava férias (no Douro, o centro do meu mundo de então) e se enchia de gente que procurava uma água invisível para matar aquela sede feita de Verão, calor, preguiça, e imaginação.

Digo “imaginação” de propósito, porque não é possível falar de livros e de bibliotecas sem essa palavra, ou sem a palavra “sonhos”. Os livros são como os próprios sonhos: se se recordam é porque são realmente importantes. E se são realmente importantes é porque, de alguma forma, transformaram a nossa vida, ou perturbaram-na, ou tocaram-na em algum lugar.

Pouco há a escrever sobre uma biblioteca onde estão todas as palavras que poderíamos utilizar para a descrever e para a comentar – alinhadas em temas, em corredores onde o silêncio ou a penumbra, a luz ou o rumor do divertimento habitam como se fosse a sua casa. A biblioteca não é, por isso, apenas a casa do livro. Todas as imagens do mundo, do sonho, do riso, do medo, da dor, estão ali, abrigadas e aguardando a oportunidade de visitar quem as visita, folheando um livro, ignorando uma página em detrimento de outra, fechando um capítulo da consulta aos livros, que é como quem diz, da consulta ao mundo.

Dir-se-á que, provavelmente, o livro não traz a felicidade. Mas, também provavelmente, a imagem de felicidade que fomos construindo vem nos livros – e há-de ter um livro por perto. Um livro por onde copiar seja o que for.

Já se disse que a felicidade é um produto da nossa imaginação e da nossa cultura. Mas é nos livros que mais se fala dela – como um estado de espírito, uma ausência e um enigma. E dado que é na biblioteca que os livros se encontram (e em nossa casa, claro, e em qualquer lado, em qualquer lugar onde quisermos que eles estejam), é talvez aí que melhor se reconhece a perfeição e a imperfeição do mundo – a idéia ou o esquecimento da felicidade.

NEM SEMPRE É FÁCIL PENSAR UMA BIBLIOTECA: o que ela deve ter, o que ela deve oferecer, o que ela deve esquecer. É este, penso eu, um dos objectivos da biblioteca: fazer esquecer alguma coisa (o lembrar alguma coisa é objectivo comum, não vale a pena falarmos disso – deriva da idéia da biblioteca como grande reservatório do mundo), fazer-nos passear entre as estantes, esquecendo que o mundo está lá fora e que este mundo, o dos corredores repletos de livros, o das páginas revisitadas por prazer ou por obrigação, ou só por curiosidade, é que é o mundo verdadeiro. A vida eterna.

Falando sinceramente, a vida que vem nos livros é que é a verdadeira; foi nos livros que, pela primeira vez, ouvimos falar de amor; o primeiro gesto de renúncia, ou de medo, ou de alegria, aprende-se num livro, num fragmento de aventura ou de uma história escutada de dentro de um livro – esse instrumento afinadíssimo para escutarmos as grandes vozes, as que sussurram e as que gritam, as que vêm de longe para lembrar a distância que nos separa ou aproxima da felicidade, ou as que estão tão perto que apenas um levíssimo rumor basta para se tornarem mais reais.

Poderíamos repetir Lawrence Durrell (de Justine, do seu quarteto de Alexandria): podemos amar alguém, ou sofrer por alguém – ou, em alternativa, fazer literatura, isto é, escutar as vozes do mundo.

E, se falamos em felicidade, falamos também de perdição – ou seja, do direito, impossível de negar a um leitor, de se perder na magnífica contemplação de um título, de um parágrafo, sempre ao acaso das circunstancias que o levaram por este ou por aquele atalho. É assim, também, que um geógrafo amador persegue a textura dos solos, o contraste das paisagens, a contigüidade ou fragmentação do povoamento: seguindo ao acaso pelo mapa, anotando isto ou aquilo na sua memória, voltando a ela quando vem a propósito.


COMO NOS SONHOS, PORTANTO. Ou seja: deixando que as coisas aconteçam por dentro, que é o sítio onde tudo de importante acontece.

Provavelmente, dirão que esta visão do pequeno universo das bibliotecas é demasiado benévola e, também, «poética» em excesso. Mas não há outra forma de ver o assunto. A vida é demasiado séria – demasiado fugaz também, para que a levemos muito a sério, como seres cabisbaixos que recusam o enternecimento e o riso só porque se sabe (de antemão, claro que sim) que a vida é pesada o suficiente para nos entristecer. Não há outra forma de ver o assunto: as bibliotecas são ilhas, pequenos continentes onde a fantasia ainda é possível e desejada.

O importante é que, precisamente por isso tudo, as bibliotecas sejam focos de resistência. Eu explico: hoje em dia, só se pode ser feliz através dos sonhos – são o espaço de liberdade que nos resta, liberdade absoluta, possibilidade absoluta. Como os sonhos passam para os livros, eu não sei nem posso explicar, senão pelo acaso de aos livros ser possível recuperar aquilo que não se diz de outra forma. Com um livro nas mãos somos livres bem lá por dentro. Deve ser impressão minha, mas os livros acabem por ser a melhor escola de liberdade: em primeiro lugar, ensinam-nos a propriedade colectiva (mas não coerciva) dos sonhos; ensinam-nos que um sonho é partilhável e, por isso, o que vem num livro não diz respeito apenas a um leitor; ensinam-nos que o que vem num livro (os sonhos, as explicações, as interrogações, as perplexidades) já uniu outros sonhos a outros sonhos, outras explicações a outras explicações, outras interrogações a outras interrogações, outras perplexidades a outras perplexidades; ensinam-nos que a verdadeira felicidade só existe porque vem descrita nos livros – e, se vem nos livros, é porque os livros a copiaram de algum lado. É bom saber isso, que a felicidade existe em algum lado. De contrário, não tínhamos razões para procurar.

E quando se aproxima o Verão, quando a Primavera chega e transporta consigo esse desejo enorme de preguiça, sesta a meio da tarde, eu lembro-me do Douro e da meia centena de vezes que li “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós – e lembro-me dessa biblioteca ingênua e inocente onde, às quartas-feiras pelo fim da tarde, a minha tia me levava para escolher alguns livros que nunca chegavam para uma semana de felicidade."

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

As bibliotecas são como aeroportos.



“As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem  está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.
Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.
Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se  entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.
Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.
As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.
Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra.
Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.
As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.
Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.
Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.”

As bibliotecas - Valter Hugo Mãe (Jornal de Letras, 15 a 28 de maio)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Plasticologia Marinha



A Daniela, o Ricardo e o Justin do Oceanário de Lisboa visitaram a nossa escola e todas as EBs do agrupamento. As sessões com estes biólogos,  sendo dirigidas aos 1º e 2º Ciclos,  resultam de um protocolo entre o Oceanário e a Rede de Bibliotecas Escolares. Tendo como objetivo a sensibilização da problemática do plástico nos oceanos, aos oceanos chegam todos os anos cerca de 8 milhões de toneladas de plástico, esta ação teve um enorme sucesso junto de alunos e professores.
Cada sessão, com a duração de 90 minutos, é constituída por uma vertente teórica e outra prática e, de uma forma simples e clara, ensina as crianças a compreender a importância de reciclar o plástico, bem como os perigos que ele representa para as espécies marinhas. As expressões microplástico, nanoplástico, giros (ilhas de lixo nos oceanos) fazem, agora, parte do vocabulário dos alunos que assistiram a estas aulas diferentes.

Para saber mais sobre  este tema ler aqui  aqui, aqui e aqui.




Selecionando o que é lixo. 



Ovos de tubarão. 



Os giros ou ilhas de lixo nos oceanos. 






quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

International Book Giving Day


O "International Book Giving Day" é uma inicitiva internacional que pretende, no dia 14 de fevereiro, "Valentine's Day", se ofereça um livro.
Este ano, não só os livros andaram de mão em mão,  como as histórias andaram no ar. "A grande fábrica de palavras" foi o livro escolhido e, tanto alunos, como professores, aqueceram o coração ao ouvir esta história de amor maravilhosa.








segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Novidades de fevereiro

A nossa Biblioteca tem mais algumas novidades. Obrigada, professora Daniela, pela oferta!



"A versão original do livro data de 1986, sob o título "Diary of a Teenage Health Freak" e foi escrito por Aidan McFarlane e Ann McPherson, dois renomeados psiquiatras britânicos que se notabilizaram pelo seu trabalho com adolescentes. A edição portuguesa surgiu em 1990 pela editora Europa-América, traduzida pelo conhecido pedopsiquiatra Mário Cordeiro, amigo dos autores originais. Mais do que uma simples tradução, o Dr. Mário Cordeiro optou por fazer uma adaptação para a realidade portuguesa. Por isso, em vez do very british Peter Payne da versão original, a edição portuguesa narra as desventuras de Pedro Dores, um jovem tipicamente português de 14 anos que vive em Lisboa com os seus pais, as suas irmãs Cristina e Susana e o cão Tejo. 

Tudo começa numa aula de Biologia, quando Pedro argumenta um hipotético problema cardíaco para não fazer a aula de Educação Física, ao que a professora reage dizendo-lhe que ele sofre de hipocondríase. Não sabendo o que quer dizer esse termo, ele recorre a um Dicionário Médico para descobrir que basicamente quer dizer a mania de ter doenças. A partir daí, sempre que confrontado com alguma questão de saúde, Pedro recorre ao Dicionário Médico para tirar dúvidas e ao seu diário para documentar as suas descobertas. Além disso, ao longo de um ano, o diário será um fiel confidente de Pedro sobre todas as suas aventuras e desventuras: o primeiro cigarro, a primeira bebedeira, um acidente de bicicleta, as turras com a irmã Susana, a conturbada vida amorosa e sexual da irmã Cristina, as discussões dos pais, as peripécias com os amigos Roque e João "Macaco" e as infrutíferas tentativas de conquistar Inês, a rapariga de quem ele gosta. Isto para além de abordar várias questões que preocupam a adolescência como as transformações corporais, a droga, as doenças sexualmente transmissíveis e a menstruação.

Uma passagem do livro que se destacou particularmente e com a qual fiz sucesso na escola quando levei o livro para mostrar essa parte aos meus colegas foi aquela onde havia uma lista de termos de calão para os órgãos genitais e actividades escatológicas. Foi aí que eu e a maioria dos meus colegas nos deparámos pela primeira vez com termos como "ás-de-copas" ou "boca-do-corpo", que aí figuravam a par de todos os palavrões que conhecíamos. 

Este "Diário de um Adolescente com a Mania da Saúde" tornou-se um dos livros que definiram a minha adolescência, até porque me revia bastante no Pedro Dores de tal forma que quase que poderia ter sido eu a escrever certas passagens."  


"Bem, chegou o verão. Se pensas que pude finalmente livrar-me da escola e gozar umas férias à maneira, pois estás completamente enganado. Durante oito semanas, vi-me fechado num sítio chamado Campo Wannaporra, metade campo de férias e metade escola. Se já me conheces, sabes bem que sou capaz de me meter em sarilhos daqueles de fugir. Por isso, já estás a ver como estas «férias» vão acabar, ou não?


Se calhar não… Mas está tudo aqui escrito. O relato de como:

- Consegui fazer amigos na Aldeia dos Falhados, nomeadamente o Devora-Macacos

- Aprendi que há bullies em todo o lado, até em campos de férias 

- Detesto expressões como «proibido», «rédea curta», «regulamentos»

- Descobri que odeio urtigas, insetos (bahh!) e bróculos.



Está na hora de mandar o Rafe para o Campo Wannaporra. E, acredita... não vais querer perder isto!" 

Vê o booktrailer aqui.


 "Em vésperas de Natal há grande azáfama nos centros comerciais. As gémeas cobiçam um relógio para oferecerem ao pai, mas é muito caro e desistem de o comprar. Já na rua descobrem com espanto que relógio apareceu no bolso da Luísa. Como explicar tão estranha ocorrência? Artes mágicas de Pai Natal? A dúvida tinha um fundo de verdade que elas e os rapazes vão descobrir pondo em risco as próprias vidas."


"Adrian Mole é um adolescente com as preocupações existenciais de um adolescente: borbulhas; o corpo a crescer em sítios inesperados (inesperadamente); a cabeça a pedir explicações para todos os factos da vida; os factos da vida a fazerem «fintas» à cabeça; o desejo de fazer versos; o amor pela grande literatura universal; a paixão pela mulher-menina amada.

Quando Adrian Mole inicia o seu diário ele tem 13 anos e três quartos. Quando o acaba tem quinze anos completos. Pelo caminho fica o registo emocionante, inocente, engraçado e, quando calha, desesperado, do dia a dia de um rapazinho dividido e multiplicado entre e pelos pais (com uma tendência danada para se separarem e embriagarem...), a namorada, os professores, os amigos (entre 14 e 90 anos), a avó, o cão, os pais dos amigos, os vizinhos e o mundo em geral. Sue Townsend conseguiu escrever um livrinho tão perturbante que pode rivalizar, como disse Jilly Cooper, com esse outro livro de culto que tem por título À Espera no Centeio (The Catcher in the Rye), de J. D. Salinger (Difel, 2005)."
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Um belo dia, Adrian descobre que é um «intelectual», que está apaixonado, que a mãe não devia ter abandonado o pai para ir viver com um homem que a trata como «um objecto sexual», que a emancipação da mulher - incluindo a da mãe, da namorada e da mãe da namorada - é um facto irreversível e incómodo […] Este diário não se pode perder. Pode ser lido pelos pais e pelos filhos.»

Expresso

«O escritor Tom Sharpe confessa que Adrian Mole e a sua inexplicável e difícil simplicidade o fizeram enxugar os olhos muitas vezes, para as lágrimas não o impedirem de continuar a leitura. Confirmo. Este diário não se pode perder. Pode ser lido em férias e fora de férias. Pelos pais e pelos filhos. Por ingleses e por portugueses. Escrito em 1982 tornou-se - já! - um clássico do género. Um clássico tão apetitoso e irresistível como um chocolate Mars, a guloseima predilecta de Adrian.»"

Clara Ferreira Alves 




"Durante o período conhecido por puberdade, que pode durar entre três a quatro anos, o nosso corpo desenvolve-se e sofre alterações como nunca! O corpo de criança passa a corpo de adulto e durante esta passagem surgem imensas complicações.
Todos sabemos que o mais importante é a nossa personalidade, a nossa maneira de ser e não a nossa aparência, mas, apesar disso, nesta idade, o que importa é ter um aspeto fantástico... e isso é tarefa muito difícil."

COMENTÁRIOS DOS LEITORES
“FANTASTICO
Este livros aborda temas ligados à adolescência e aos problemas comuns com que os nosso "pequenos" começam a deparar-se. As ilustrações são divertidas o que leva a que não haja tanta inibição em consultar o livro porque, apesar de quererem passar a imagem de que o fazem por brincadeira, porque o livro é apelativo, a verdade é que vão tirando as suas dúvidas.´, sobre assuntos que muitas vezes têm vergonha de perguntar.”

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Novidades de fevereiro



"Em plena adolescência, Adrian Mole continua profundamente atormentado pelos dramas e peripécias que se sucedem na sua vida. Como se não bastassem as borbulhas, as discussões dos pais e os arrufos com a sua amada Pandora, vê-se perante a mais inesperada das notícias – vai ter um irmão e... quase em simultâneo, um meio-irmão!! O que poderia acontecer-lhe de pior? Hilariante e enternecedor, Adrian Mole continua a cativar sucessivas gerações de leitores em todo o mundo. "


"Neste novo volume do célebre autor de Diários, Adrian Mole, agora com 23 anos e ¾, vive desconsolada e melancolicamente num cubículo do apartamento em Oxford, de uma mulher bonita e cheia de sucesso – Pandora –, que maltrata constantemente o seu antigo namorado de infância. Ele continua a trabalhar no Ministério do Ambiente, onde é responsável pelos tritões – uma espécie que passou a detestar em segredo.

Este novo livro de Sue Townsend acompanha o génio incompreendido da Inglaterra Central em mais de uma das suas viagens pelo Vale dos Sonhos da Rejeição e da Humilhação, na procura das terras altas e soalheiras do amor retribuído e, sobretudo, da publicação do seu romance. 

Qualquer pessoa que alguma vez tenha sido jovem, que não tenha nascido dotada e que tenha tido vinte e três anos, reconhecerá no Adrian um herói com quem pode identificar-se, um herói dos nossos dias.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Adrian tem agora 23 anos e ¾ e vive "desconsolada e melancolicamente" em Oxford, num cubículo do apartamento de uma mulher que é "bonita e cheia de sucesso" e ainda por cima se chama Pandora. E a saga diarística deste «herói dos nossos dias» continua…»

Público

«O seu êxito vem de uma mistura de piadas sensacionais às quais está subjacente uma crítica política e social séria, e da forma brilhante como aflora a vida contemporânea.»"

Sunday Times 


 "Adrian Mole já entrou na vida adulta, mas as coisas não estão a ser exatamente como ele esperava. Ainda a viver em casa dos pais, ainda apegado ao Pinky, o seu coelhinho, com um trabalho precário na biblioteca e às voltas com os padecimentos amorosos que Pandora lhe inflige, Adrian não se sente propriamente no papel do adulto plenamente realizado. Mas, se pensarmos bem, sem as vicissitudes e as farpas da vida moderna, sobre o que poderia escrever um poeta intelectual como Adrian? Uma das personagens mais queridas da literatura britânica e universal, Adrian Mole continua a deliciar-nos com as suas peripécias enternecedoras e hilariantes. 

Uma obra-prima da comédia e da sátira social."


 "Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.



Com Crime e Castigo, a Editorial Presença inaugura a publicação da obra de um dos maiores escritores de sempre, numa nova e criteriosa tradução, feita directamente a partir do russo. Datado de 1866, este é o primeiro dos grandes romances que Dostoiévski escreveu já em plena maturidade literária, sendo, provavelmente, a mais bem conhecida de todas as suas obras. Recriando um estranho e doloroso mundo em torno da figura do estudante Raskólnikov, perturbado pelas privações e duras condições de vida, é uma das obras por excelência fundadoras da modernidade. Pelo inexcedível alcance e profundidade psicológica, sobretudo no que implica a exploração das motivações não conscientes e a aparente irracionalidade nos comportamentos das personagens, este autor russo tornou-se uma referência universal na literatura, sem perda de continuidade até aos nossos dias. Esta nova versão em língua portuguesa das obras de Dostoiévski, cuja qualidade permite ao leitor fruir plenamente da extraordinária riqueza dos textos originais, e da responsabilidade de Nina e Filipe Guerra."

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Projeto de Leitura

O Projeto de Leitura segue a bom ritmo! Professoras e professores vão desenvolvendo as atividades de acordo com o planeado e os alunos lêem e escrevem mostrando os seus trabalhos nos blogues e/ou padlets. 
Parabéns a todos!
Quer ver os trabalhos? Vá aqui ou clique na imagem!


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Roda dos Alimentos Mediterrânica



Os princípios básicos da roda dos alimentos mediterrânica, desenhada há um ano pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto numa parceria com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), estão agora disponíveis numa versão interactiva lançada pela DGS, através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. 
Ver aqui.