terça-feira, 25 de julho de 2017

Despedidas



As despedidas são sempre tristes, mas, este ano, a tristeza vem acompanhada de alguma angústia. 
A nossa árvore vai perdendo folhas, vai perdendo vida, vai ficando descaracterizada.
As palavras da nossa Lininha refletem o sentir de muito(a)s de nós!



DESPEDIDAS 

Quando os abraços se enchem de silêncios 
e as lágrimas preenchem o vazio das palavras 
no cais das despedidas vão ficando humedecidas 
as bagagens de tantos anos de amizade 
de convívio, partilha, solidariedade 
e os silêncios pesam mais que a própria dor da saudade... 

Porque o que antes era lar de conforto e amor 
passa a ser barca de partida 
navegando sem leme à deriva 
deixando para trás tanta vida 
o porto de tanta gente... 

Sepulta-se assim desta forma cruelmente 
um berço de ensino, de família e bem estar 
em troco não percebo de quê 
nem do que daí possam ganhar, 
será apenas pelo prazer do poder? 
Mas isto sou eu a pensar... 


Adelina Santos

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O Deus das Pequenas Coisas - uma sugestão de leitura


""O Deus das Pequenas Coisas" é a história de três gerações de uma família da região de Kerala, no sul da Índia, que se dispersa por todo o mundo e se reencontra na sua terra natal. Uma história feita de muitas histórias. A história dos gémeos Estha e Rahel, nascidos em 1962, por entre notícias de uma guerra perdida. A de sua mãe Ammu, que ama de noite o homem que os filhos amam de dia, e de Velutha, o intocável deus das pequenas coisas. A da avó Mammachi, a matriarca cujo corpo guarda cicatrizes da violência de Pappachi. A do tio Chacko, que anseia pela visita da ex-mulher inglesa, Margaret, e da filha de ambos, Sophie Mol. A da sua tia-avó mais nova, Baby Kochamma, resignada a adiar para a eternidade o seu amor terreno pelo Padre Mulligan. Estas são as pequenas histórias de uma família que vive numa época conturbada e de um país cuja essência parece eterna. Onde só as pequenas coisas são ditas e as grandes coisas permanecem por dizer. O Deus das Pequenos Coisas é uma apaixonante saga familiar que, pelos seus rasgos de realismo mágico, levou a crítica a comparar Arundhati Roy com Salmon Rushdie e García Márquez, e lhe valeu o Booker Prize."

Ler mais informação aqui e aqui.

"Provar" o livro clicando na imagem abaixo.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

A casa dos deuses - uma sugestão de leitura


"Uma obra-prima do romance americano!


Seis estudantes de medicina - acabados de sair da faculdade e ávidos por desafios - vão lutar pela sua sobrevivência e sanidade mental durante o ano de internato. Numa corrida desenfreada para enfrentar as chamadas de urgência, as investidas amorosas das enfermeiras e os momentos de desânimo, aqueles que se autoproclamavam "os salvadores do futuro" vão agora viver a dura realidade da profissão que escolheram, num quotidiano para o qual a teoria não os preparara. Publicado pela primeira vez em 1978, "A Casa dos Deuses" converteu-se com os anos num verdadeiro livro de culto, que nenhum médico, estudante de medicina ou doente hipocondríaco poderá deixar de ler."

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Será Que as Mulheres Ainda Acreditam em Príncipes Encantados?- uma sugestão de leitura



"É um espectáculo único estarmos entre homens a beber imperiais num bar e a falar sobre «as miúdas» que passam e, de repente, com o tocar de um telemóvel, o maior Rambo do mundo torna-se num menino inocente e bem-comportado capaz de dizer as coisas mais extraordinárias: «Claro que me tou a portar bem, morzinho. Não, o rambinho não faz maldadezinhas e vai para casinha bem cedinho, queridinha.» Todas as palavras passam a utilizar o sufixo «inho». Reinventa-se a língua portuguesa, e comunica-se num dialecto próprio que só os amantes percebem. Neste livro, Rodrigo Moita de Deus aborda esta problemática de maneira simples e ao mesmo tempo profunda, num périplo divertido pela complexidade das relações humanas."

"As mulheres deixaram de acreditar em finais felizes ou simplesmente deixaram de acreditar nos homens? E têm razões para isso? E quantos sapos precisam de beijar até encontrarem um príncipe? Se as mulheres falam mais os homens falam sempre demais. Será que as mulheres acreditam em príncipes encantados? é um divertido livro de Rodrigo Moita de Deus que retrata a forma como os homens verdadeiramente olham para as mulheres e para as suas manias."

Interessado(a)? 
Leia um pouco clicando na imagem abaixo.





quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Sonho Mais Doce - uma sugestão de leitura


“Em "O Sonho Mais Doce", o leitor é conduzido por uma saga familiar que atravessa três gerações, centrando-se o enredo, sobretudo, na década de 60, altura em que a casa de Júlia Lennox alberga uma grande quantidade de jovens, personificando o espírito de liberdade prevalecente na Inglaterra de então. Recuando até 1914, a autora apresenta-nos Philip Lennox e a sua noiva Júlia, tendo como pano de fundo a I Guerra Mundial. Do casamento entre ambos nasce um filho Johnny, que se tornará um comunista muito ativo. No limiar da II Grande Guerra Johnny apaixona-se por Frances, camarada do partido. Frances e os dois filhos que nascem desta união, abandonados por Johnny, vão morar com Júlia, entretanto já viúva. Já na década de 60, Sylvia, fruto de uma ligação amorosa de Johnny, também encontra refúgio em casa de Júlia. Sylvia sofre de anorexia mas apesar da doença consegue formar-se em medicina e depois de uma temporada em África regressa a Londres com dois jovens órfãos. Um retrato de três mulheres-coragem - Júlia, Frances e Sylvia - que aborda temas característicos de várias épocas como a guerra fria, a guerra do Vietname, as drogas, o surgimento da Sida em África, a anorexia e a depressão, entre outras.”


“Anunciado dia 11 de Outubro de 2007 pela Academia Sueca, o Prémio Nobel da Literatura galardoou Doris Lessing, autora britânica de 87 anos. Geralmente concedido a elementos do sexo masculino, Doris Lessing foi uma revelação tornando-se a décima primeira mulher a receber o prémio contra cento e cinco homens já laureados. Escritora incansável, Lessing evidencia-se pela limpidez narrativa e por um genial tratamento das personagens, lugares e situações. "Foi pioneira na criação de uma consciência feminista na literatura, tem uma atitude de observação do mundo interior e do mundo real", refere Hélder Macedo escritor e amigo pessoal da autora. Considerado o maior prémio no mundo das letras foi justamente atribuído a uma grande senhora cujo talento encanta pela inovação e sentido de humanidade.”


CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Um romance notável: pelo seu vigor e pelo seu interesse na justiça e no bem. Marca Lessing como uma virtuosa do século XXI».
The Times

«Os seus retratos das relações humanas são de uma beleza estonteante. Seria difícil descrever o esplendor deste livro».
The Times

«Filosófico e divertido, povoado por personagens memoráveis. Este é o romance mais absorvente de Lessing em muitos anos».
The Times Suplemento Literário

«A grande dama das letras inglesas mergulha em 1960. Uma mais valia para os fãs de Lessing. Novos leitores serão atraídos pela sua perspectiva cheia de energia e perspicaz».
Publishers Weekly

«O sonho de uma sociedade perfeita é o centro do novo romance de Lessing».
Kirkus Reviews

«O brilhantismo dos seus personagens, a paixão das suas ideias e visão, mantêm-se. Ela vai subir ao panteão com Balzac e George Eliot».
Independent

«Doris Lessing aparece cada vez mais como uma figura olímpica».
Financial Times

«O Sonho Mais Doce aborda uma verdade universal: a capacidade para dar e receber amor.»
Observer

«Um livro surpreendente, incendiário e confiante».
Spectator

Poderá iniciar a leitura deste livro clicando na imagem abaixo.




terça-feira, 18 de julho de 2017

PNL - Listas atualizadas 2017

As listas de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura foram atualizadas. É só clicar na imagem e fazer o download.




De acordo com o sítio do PNL, "a escolha de títulos destinados às listas de livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura é realizada por uma equipa de especialistas em diferentes áreas.
A seleção deste corpus adequado aos níveis de competência e interesses dos leitores, obedece, essencialmente, aos seguintes critérios:

- mérito literário
- rigor científico
- dimensão estética
- qualidade de tradução, se aplicável."

É de salientar que :

"Em 2017, deixa de ser aceite a possibilidade de substituição de obras constantes das listas divulgadas no sítio Web do PNL 2027 por outras da mesma coleção, autor(es), ilustrador(es) e tradutor(es)."

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Porque é que os homens mentem e as mulheres choram - uma sugestão de leitura


"Sabe qual o motivo por que os homens só são capazes de fazer uma coisa de cada vez? E porque é que as mulheres têm tanta dificuldade em fazer marcha atrás? Por que é que os homens nunca encontram manteiga no frigorífico? E por que será que os homens e as mulheres nunca pensam a mesma coisa, no mesmo momento? E por que não deveriam os homens mentir às mulheres?"

"Allan e Barbara Pease são os autores de maior sucesso em todo o mundo nas áreas dos relacionamentos e da comunicação. Os 18 livros que escreveram em conjunto são best-sellers em mais de 100 países e contam com mais de 27 milhões de exemplares vendidos. Viajam por todo o mundo a dirigir workshops e conferências, e já colaboraram com algumas das empresas multinacionais de maior sucesso na implementação de técnicas de comunicação eficazes no local de trabalho. São também presença regular nos media em todo o mundo. Vivem a maior parte do tempo na Austrália, têm seis filhos e oito netos."

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Enquanto Salazar dormia - Uma sugestão de leitura



"Lisboa, 1941. Um oásis de tranquilidade numa Europa fustigada pelos horrores da II Guerra Mundial. Os refugiados chegam aos milhares e Lisboa enche-se de milionários e actrizes, judeus e espiões. Portugal torna-se palco de uma guerra secreta que Salazar permite, mas vigia à distância.
Jack Gil Mascarenhas, um espião luso-britânico, tem por missão desmantelar as redes de espionagem nazis que actuavam por todo o país, do Estoril ao cabo de São Vicente, de Alfama à Ericeira. Estas são as suas memórias, contadas 50 anos mais tarde. Recorda os tempos que viveu numa Lisboa cheia de sol, de luz, de sombras e de amores. Jack Gil relembra as mulheres que amou; o sumptuoso ambiente que se vivia no Hotel Aviz, onde espiões se cruzavam com embaixadores e reis; os sinistros membros da polícia política de Salazar ou mesmo os taxistas da cidade. Um mundo secreto e oculto, onde as coisas aconteciam «enquanto Salazar dormia«, como dizia ironicamente Michael, o grande amigo de Jack, também ele um espião do MI6. Num país dividido, os homens tornam-se mais duros e as mulheres mais disponíveis. Fervem intrigas e boatos, numa guerra suja e sofisticada, que transforma Portugal e os que aqui viveram nos anos 40."


"Domingos Freitas do Amaral é director da revista GQ, e cronista dos jornais Correio da Manhã e Record. Formado em economia, e com Mestrado em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em Nova Iorque, iniciou a sua carreira jornalística n’O Independente, tendo depois sido director da revista Maxmen. Como cronista, escreveu para o Diário de Notícias, Grande Reportagem e Diário Económico.

Publicou igualmente outros romances, todos na Casa das Letras - Amor à Primeira Vista, O Fanático do Sushi, Os Cavaleiros de São João Baptista, Enquanto Salazar Dormia e Já Ninguém Morre de Amor e Quando Lisboa Tremeu. Vive em Lisboa e é pai de duas raparigas e um rapaz."

Conhecer o seu sítio aqui.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Projeto Ajudaris







Recebemos da Ajudaris um email do qual retirámos o seguinte extrato:


"Exupéry, a certa altura na obra “O Principezinho”, disse que “as coisas mais belas do mundo não podem ser tocadas ou cheiradas, são sentidas com o coração”.  E o coração do júri palpitou e rejubilou a cada palavra, a cada frase, a cada conto….! Um misto de sentimentos pairou durante toda esta intensa fase de emoções. Todos temos consciência  que não existe um livro tão gigante como o coração de cada criança que escreveu e de cada professor solidário que orientou.
Recebemos 1934 histórias extraordinárias, repletas de afetos e generosidade. Foram selecionados 920 trabalhos...
Queremos agradecer a todos os que participaram e, fundamentalmente, congratular todos os pequenos grandes autores e professores solidários que fizeram e fazem parte deste grandioso projeto."


O texto "Mistérios" do 6ºC foi selecionado e fará parte de um dos livros da Ajudaris. Parabéns aos alunos do 6ºC e à professora Floripes!


Mistérios…

Escrevi a palavra UNIÃO
Uma família nasceu
Num mar de amor.
Era uma família
Como é uma família.
Endireitou os braços
Sacudiu as mãos…
E num abraço, marido e mulher
Voltaram a cabeça
À procura de sorrisos
Deixaram cair a tristeza
Sobre o chão.
Depois cresceu um novo ser
Com muita ternura e carinho
Fora da natureza,
Mas dentro de sua mãe.


Já no ano letivo transato o texto "Animação na horta" do 6ºC (trabalhado pela professora Manuela Neves) tinha sido selecionado para constar do volume 1.

Estão, pois, de parabéns a nossa escola e as professoras de Português por motivarem os seus alunos a desenvolver atividades cuja qualidade é reconhecida também por outros!







Animação na horta (Pag. 190)

Num belo dia de sol, na horta da família Vitaminas, diziam as ervilhas:
- Ontem ao jantar elogiaram-nos. A sopa estava divina!
- Ninguém nos resiste! Não há melhor legume nesta horta.
Os frutos desataram à gargalhada:
- É só vaidade! A nossa salada é que foi um sucesso! Não sobrou nada. Os humanos conhecem bem a importância dos frutos na sua saúde.
O Espinafre aproximou-se e exclamou:
- Ora essa! E então nós, os legumes? Nós somos indispensáveis a uma alimentação saudável! Regulamos o bom funcionamento do organismo e ajudamos a evitar as doenças.
             E logo a Laranja:
- Isso também nós fazemos e melhor. A minha vitamina C previne muitas doenças!
Já todos discutiam na horta. Argumentava a Alface:
- Basta ver a maior quantidade com que aparecemos na Roda dos Alimentos!
E logo o Ananás:
- Maior quantidade não é melhor qualidade!
Entretanto, o tomate, até aí muito calado, comentou:
- Na verdade, somos todos importantes. Uma alimentação rica, variada e colorida é que é essencial.
Umas cerejas vociferaram:
- Está mas é calado! Tu devias estar do nosso lado!
          Neste momento, entra no jardim a Sra. Vitamina. Colhe alguns legumes e frutos e entra depois em casa, colocando-os em cima da banca. Todos juntos, com as suas belas e variadas cores, parecem um arco-íris no meio da cozinha.
Ao jantar, todos se deliciaram com a bela sopa, as saladas e a taça de frutas.
- Nada melhor que vegetais e frutos frescos acabados de apanhar! – exclamou o Sr. Vitamina – Esta família tem muita sorte e respira saúde!
Os legumes e frutos cá fora perceberam que todos são importantes e que não vale a pena entrarem em discussões inúteis pois estas só servem para desarrumar o jardim.

sábado, 8 de julho de 2017

Palavras Sol tas na TV

 
http://portocanal.sapo.pt/um_video/GivbL0TlgwCByDUKiz2e


O professor João Carlos Brito (ESG), as professoras Anabela Carvalho (EB de Jovim e Foz do Sousa) e Helena Queirós (EB Júlio Dinis), o Vitor e a Diana estiveram no Porto Canal a apresentar o livro Palavras Sol tas.
Esta é uma iniciativa das Bibliotecas Escolares do Concelho de Gondomar, que conta com o apoio do Núcleo de Educação Especial das escolas do concelho, do município e da Rede de Bibliotecas Escolares.
Mais de 300 alunos participaram nesta iniciativa, este ano.
 
Para visualizar o vídeo é só clicar na imagem acima.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Miúdos a Votos em 2017/2018

"Tendo em conta o sucesso que esta iniciativa teve no corrente ano, a Rede de Bibliotecas Escolares e a VISÃO Júnior voltarão, em 2017-18, a organizar a eleição dos livros preferidos das crianças e jovens portugueses que, através de uma eleição realizada em todas as escolas participantes, terão oportunidade de votar no seu livro favorito. O processo estender-se-á aos alunos do ensino secundário e decorrerá entre 2 de outubro de 2017 e 23 de abril de 2018, Dia Mundial do Livro.
Miúdos a Votos continuará a contar com o apoio do Plano Nacional de Leitura, da Pordata, da Comissão Nacional de Eleições e da Rádio Miúdos.
O regulamento será divulgado no início do ano letivo, mas as bibliotecas escolares poderão já incluir esta atividade nas suas planificações."

Este ano letivo, na nossa escola, esta atividade foi vivida com grande animação e euforia. Foi, mesmo, uma festa! Ver aqui.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Danças & Contradanças - uma sugestão de leitura



"As sarcásticas histórias de Danças & Contradanças podem ser resumidas em duas palavras: malévolas e maliciosas. Como em muitos dos seus romances, Joanne Harris consegue combinar de uma forma única situações e personagens únicas - e até banais - com o extraordinário e o inesperado. Mais do que nunca, a autora dá largas à sua imaginação e apresenta-nos uma exuberante e prodigiosa caixa de Pandora, que contém tudo quanto é extravagante, estranho, misterioso e perverso. De bruxas suburbanas e velhinhas provocadoras, monstros envelhecidos, vencedores da lotaria suicidas, lobisomens, mulheres-golfinho e fabricantes de adereços eróticos, estas são vinte e duas histórias onde o fantástico anda de mãos dadas com o mundano, o amargo com o doce, e onde o belo, o grotesco, o sedutor e o perturbador estão sempre a um passo de distância."
Ler o conto "Fé e esperança vão às compras" aqui.
Requisitem o livro na BE.
Boas leituras!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

As histórias não podem ser engarrafadas!



“Enquanto a água se pode guardar em garrafas, as histórias não podem ser engarrafadas sem que se estraguem rapidamente. Têm que andar ao ar livre como animais selvagens. Temos que as soltar para que possam correr todas nuas.”

 Afonso Cruz, O Pintor Debaixo do Lava-Loiças



Soltemos, pois, a história de Clarice Lispector, "Felicidade Clandestina"!
Deixemo-la correr e entrar nos nossos ouvidos, na nossa cabeça, nos nossos sentidos! Para isso,

                                  vá 

                                            por

                                                         aqui!



                                                    (Clicar sobre a imagem acima)


sexta-feira, 30 de junho de 2017

A arte em 50 documentários


(Clicar sobre a imagem)

"A arte não é a representação de uma coisa bela, mas a bela representação de uma coisa" diz o ditado popular.
Por outro lado, "quem não sabe arte, não a estima". Estes 50 documentários sobre história de arte , ajudar-nos-ão a conhecer melhor grandes pintores, escultores, ceramistas e até escritores, grandes expoentes da arte universal.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus





Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus from Jorge Borges on Vimeo.


"Porquê uma declaração dos direitos de literacia?

Na Europa, enfrentamos desafios de literacia graves: um em cada cinco jovens de 15 anos e cerca de 55 milhões de adultos carecem de competências básicas de literacia e nos últimos 10 anos tem havido pouca melhoria nos níveis de literacia na Europa. Especialistas internacionais da European Literacy Policy Network (ELINET) descobriram que a Declaração Universal é muito pouco específica no que diz respeito à literacia.

Todas as pessoas na Europa têm direito à literacia. Os Estados-Membros da UE devem assegurar que sejam facultados às pessoas de todas as idades, independentemente da sua classe social, religião, etnia, origem e género, os recursos e as oportunidades necessários para desenvolverem competências de literacia suficientes e sustentáveis por forma a compreenderem e utilizarem de modo eficaz a comunicação escrita, seja ela manual, impressa ou digital.

A Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus foi assim desenvolvida para enfatizar esse direito universal."

Ler mais aqui.


Consultar aqui o texto integral da Declaração dos Direitos de Literacia dos Cidadãos Europeus.


terça-feira, 27 de junho de 2017

A história da moça tecelã!


"Porque nós somos feitos de histórias, não é de a-dê-ênes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias."


      Afonso Cruz, Os livros que devoraram o meu pai





"A moça tecelã"

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite.
E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte. Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido.
Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio do ponto dos sapatos, quando bateram à porta. Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade. E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
—Uma casa melhor é necessária —disse para a mulher.
E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou.
Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
—É para que ninguém saiba do tapete —ele disse.
E antes de trancar a porta à chave, advertiu:
—Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer. E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros.
E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.


“A moça tecelã” in

Contos Brasileiros Contemporâneos

São Paulo, Editora Moderna, 1991