sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Cidadania: pensar e intervir

(Clicar para aceder ao sítio)


"Assumindo o desígnio, inscrito na Carta do Conselho da Europa sobre a Educação para a Cidadania Democrática e a Educação para os Direitos Humanos, de transformação da sociedade por via da educação de cada cidadão, a RBE criou um sítio em linha, Cidadania e Biblioteca Escolar – Pensar e Intervir, com o propósito de promover uma cultura de cidadania democrática, reforçando o papel da biblioteca escolar no aprofundamento dos conteúdos do currículo e na formação integral das crianças e jovens nos dias de hoje, em convergência com a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.

Enquadrando-se no plano não formal e informal da educação, os conteúdos deste sítio estruturam-se em três áreas de ação: Dinâmicas educativas, Clips e Notas das escolas."

"Os termos de pesquisa propostos seguem a agenda nacional e internacional para o desenvolvimento, estão de acordo com os domínios da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e são 17:

Direitos humanos:
Integra, entre outros, os seguintes temas: racismo, xenofobia, tortura, pena de morte, discriminação, assédio, violência e bullying;

Igualdade de género:
Identidade e diversidade cultural e religiosa, património cultural; migrantes, refugiados, ciganos e outras minorias são alguns dos temas que integram este domínio

Interculturalidade;

Desenvolvimento sustentável:
Património ou ambiente natural, poluição e desperdício, energia, cidades educadoras/ aprendentes e ambientes inteligentes são alguns dos temas que integram o domínio do Desenvolvimento Sustentável;

Educação ambiental;

Saúde;

Sexualidade;

Media:
Capacitação em meio digital e inclusão digital; verdade, fake news e jornalismo são alguns dos tópicos que cabem neste âmbito;

Instituições e participação democrática:
Justiça, integração europeia e objeção de consciência são, alguns dos temas incluídos neste domínio;

Literacia financeira e educação para o consumo;

Segurança rodoviária;

Risco:
Riscos naturais, tecnológicos e financeiros e proteção civil constituem alguns dos temas que integram este domínio;

Empreendedorismo;

Mundo do trabalho:
Formação profissional e empregabilidade, flexibilidade trabalho - vida pessoal, desemprego, ócio, igualdade de oportunidades e inclusão social, inclusão escolar e educação não formal são temas que integram este domínio;

Segurança, defesa e paz;

Bem-estar animal;

Voluntariado.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Tratar os media por tu



(Clicar sobre a imagem para aceder ao ebook)

Com autoria dos investigadores Patrícia Silveira, Clarisse Pessôa, Diana Pinto, Simone Petrella e Amália Carvalho do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, a Direção-Geral da Educação lançou em 2017, em edição digital, a brochura “Tratar os Media por Tu – Guia prático de Educação para os Media”.

Esta publicação visa oferecer aos docentes do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário um conjunto de propostas práticas para a abordagem dos Media em contexto de sala de aula.


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Bom ano!




Começaram as visitas à Biblioteca! Mais uma ano se inicia e os alunos aprendem a conhecer este espaço, a forma como está organizado,como podem aproveitar tudo o que de bom tem para lhes oferecer.
Valter Hugo Mãe diz: "As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem  está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros." (ler mais aqui.)

Que os alunos viajem,  convoquem o mundo inteiro, partam à aventura, é sempre o nosso desejo!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Resoluções de Ano Novo. Ler é muito importante e a ciência dá-lhe 7 razões para o fazer



E não estamos a falar de posts no Facebook ou Instagram. Os livros afetam diferentes partes do cérebro e tornam-nos mesmo mais inteligentes.

A memória, a concentração, a calma, a inteligência cognitiva e emocional. Ler faz mesmo maravilhas e é uma rotina que deve adotar para a vida. Se o hábito não faz parte do seu quotidiano, faça por inclui-lo. Troque a Netflix ou a televisão por um livro e passe assim o serão. Dedique menos tempo a fazer scroll no Instagram ou Facebook, porque ler as publicações dos seus amigos e das páginas de que gosta não conta — na verdade, resulta num efeito oposto. Vários estudos já vieram dizer que as redes sociais estão a deixar-nos mais deprimidos, ansiosos, com menos auto-estima, pior qualidade de sono e um cérebro menos ágil — principalmente porque comprometem a capacidade da memória.

O desafio é esse. Introduza os livros na sua vida e reduza o tempo em frente aos ecrãs. O seu cérebro vai ficar feliz, de várias maneiras. Damos-lhe 7 argumentos, sustentados pela ciência.

Melhora a comunicação do cérebro

O hábito deve fazer parte da vida dos adultos, mas é absolutamente crucial na infância para um desenvolvimento cognitivo saudável. Um estudo de 2009, realizado pela Carnegie Mellon University, que contou com a participação de 72 crianças com idades entre os 8 e os 10 anos, mostrou que ler consegue alterar zonas do cérebro, aumentando a área de matéria branca — a que transporta informação entre regiões de matéria cinzenta, onde toda a informação é processada. Resultado? A comunicação entre regiões do cérebro e o processamento da informação tornam-se mais eficientes. Isto é especialmente importante para crianças que sofrem de problemas de desenvolvimento, como o autismo, por exemplo.

“A indicação de que a intervenção comportamental pode melhorar tanto o desempenho cognitivo quanto a microestrutura dos tratos da substância branca é um avanço para o tratamento e compreensão dos problemas de desenvolvimento”, explicou Marcel Just, um dos investigadores à frente do estudo, juntamente com Timothy Keller.

Desenvolve a capacidade para aprender informação nova

Ler transforma mesmo o cérebro, principalmente se implicar a aprendizagem de uma língua nova. Um estudo realizado em jovens recrutas da Swedish Armed Forces Interpreter Academy, em Uppsala, mostrou que a aprendizagem de um idioma diferente — num regime intensivo, o que implica muitas horas de leitura — aumenta determinadas zonas no cérebro: o hipocampo, relacionado com a aprendizagem de novas matérias, e três áreas do córtex cerebral.

Mais vocabulário e cultura geral

Por outro lado, de acordo com Keith Stanovich, que levou cabo vários estudos que relacionam a leitura e o desenvolvimento de capacidades cognitivas, pessoas que leem muito têm um vocabulário mais rico em 50% e conhecimento de cultura geral aumentado também em 50%.

Torna-nos mais inteligentes (cognitiva e emocionalmente)

A leitura e a inteligência andam lado a lado. Quando mais se dedicar à leitura, mais inteligente se tornará. Ao mesmo tempo que ler aumenta o nosso conhecimento — informação que guardamos no cérebro e que aplicamos em situações práticas da vida —, também melhora a nossa inteligência emocional. Um estudo realizado em 2013 pela New School for Social Research, em Nova Iorque, mostrou que ler ficção literária (mais do que não-ficção) é capaz de nos tornar mais empáticos. Além disso, ajuda-nos a compreender o estado dos outros, as suas crenças, desejos, objetivos, princípios e motivações, mesmo que distintas da nossa — é a chamada Teoria da Mente, que nos permite fazer escolhas mais ponderadas, sermos mais tolerantes, compreendermos melhor os outros e expandirmos a nossa mundividência. No fundo, há potencial para nos tornarmos melhores pessoas.

Reduz o stresse

Ler significa focarmo-nos noutra coisa — abre-nos a porta para um novo mundo e deixa-nos absolutamente abstraídos da nossa realidade (e problemas). De acordo com o “The Telegraph“, em 2009, investigadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, analisaram a capacidade que algumas atividades têm para reduzir os níveis de stresse, ao medirem o ritmo cardíaco e tensão muscular. De acordo com o estudo, ler tem um efeito mais calmante do que as caminhadas, uma chávena de chá ou até música. Nos resultados, ler apenas durante seis minutos foi capaz de baixar os níveis de stresse em 68% — a caminhada baixou em 42%, o chá em 54%, a música em 61%.

Aumenta os anos de vida

Ler poderá aumentar a longevidade. Um estudo realizado pela Universidade de Yale concluiu que as pessoas que leem livros durante cerca de 30 minutos por dia vivem mais dois anos do que aqueles que só consomem revistas e jornais. A investigação envolveu 3.600 participantes com mais de 50 anos, que foram seguidos durante 12 anos. Aqueles que liam 3,5 horas por semana tinham menos 23% probabilidade de morrer — os que liam menos tempo tinham menos 17% probabilidade de morrer.

Aumenta a capacidade de concentração

Em 2012, um grupo de investigadores da Universidade de Stanford analisou os padrões cerebrais de um grupo de pessoas que estava a ler um romance da autora Jane Austen. Os resultados deixaram afirmar que ler é um “verdadeiro e valioso exercício para o cérebro das pessoas”, uma vez que se desencadeiam diferentes tipos de mecanismos de concentração e entrega à tarefa, de acordo com o objetivo: ler por lazer ou ler para aprender.
“Prestar atenção a um texto requer a coordenação de múltiplas funções cognitivas complexas”, disse a coordenadora do estudo, Natalie Phillips. Quando se trata de ler por hobbie, os fluxos movem-se para sítios distintos, criando padrões diferentes.


Texto retirado daqui

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O que leem (e como leem) os adolescentes?




Ler implica foco, silêncio, um tempo lento. Ou seja, o contrário dos hábitos dos nativos digitais. Mais do que saber se cumprem as leituras escolares, importa descobrir o que é que os jovens leem por puro prazer e como é que esse gosto se pode estimular.

Francisco Ferreira trata os livros com estima, mas também com familiaridade suficiente para não recear dobrar os cantos das páginas em vez de usar marcador. É um leitor eclético como mostram os três livros que traz na mão: “Diário de um Adolescente na Lisboa de 1910” de Alice Vieira, que conta a história de um rapaz à época da queda da monarquia; “An Adventure on Madeira Island”, tradução inglesa da famosa coleção “Uma Aventura” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada; e “Little House on the Prairie”, uma novela de 1935, da americana Laura Ingalls Wilder, sobre as suas experiências enquanto criança no centro oeste do país.

“Gosto de ler em inglês porque ganho mais vocabulário”, explica o adolescente de 15 anos, que frequenta o 9.º ano.

Usa várias vezes a expressão “estou a trabalhar um livro” quando se refere às leituras da escola mas, por oposição, considera as suas próprias leituras, que faz sobretudo quando está de férias, como momentos de descanso, deixando muito clara a fronteira entre a leitura por obrigação e por prazer.

Prazer para o qual tem pouco tempo durante a época de escola, com as aulas, os trabalhos de casa e os testes, mas nas férias de verão costuma aviar oito ou nove livros. Apesar de fazer esta distinção entres os dois tipos de leituras, isso não quer dizer que não aprecie algumas das obras que tem de estudar.

“Este ano já dei o ‘Auto da Barca do Inferno’ e gostei, é uma história interessante e divertida. O ano passado tive de ler o ‘Hobbit’ de J. R. R. Tolkien e o ‘Que Farei com Este Livro’ de José Saramago, e não gostei de nenhum dos dois: o vocabulário era pouco acessível.”

“Gosto de ler em inglês porque ganho mais vocabulário” (Francisco, 15 anos)

Os três livros que traz consigo têm histórias muito diferentes, mas uma coisa em comum: as personagens são adolescentes, como ele próprio. Não há grande mistério nesta preferência: os adolescentes gostam de ler obras com protagonistas da mesma idade porque conseguem relacionar-se com a história sob uma perspetiva mais pessoal.

“Nós só conseguimos ler aquilo para que estamos preparados”, explica a mediadora de leitura Andreia Brites. “Podemos ler um livro difícil do ponto de vista da linguagem se o tema nos for próximo e o inverso também é possível: ler algo cujo tema nos é estranho e sobre o qual não temos um conhecimento prévio estruturado, se for numa linguagem simples que nos permita compreender.”

Para Andreia, que trabalha desde 2005 nas bibliotecas de todo o país, sobretudo com jovens, esta adequação é muito importante: pô-los perante coisas para as quais não estão preparados é “matar” leitores. “Se lhes damos um tipo de livro para o qual ainda não tem competências, ele não só vai rejeitar aquele livro como muitos semelhantes.”

A mediadora acredita que recomendar-lhes leituras passa sobretudo por conhecê-los. “Gostam de animais, de carros ou de um desporto? São mais imaginativos ou mais pragmáticos? Há algum filme ou jogo de computador de que gostem e que possa influenciar na leitura de um livro? Tudo é válido. O mais importante é conhecê-los.”

Apesar disso, garante que há temas e géneros que, por norma, lhes são caros. “Os adolescentes, tipicamente, têm uma grande necessidade de ter, por um lado, contacto com as tragédias e com a realidade mais dura e, por outro, com a fantasia e a aventura.”

Isso ajuda a explicar os grandes fenómenos editoriais entre adolescentes: na categoria de “realismo verídico” estão volumes como “Os Filhos da Droga”, “O Diário de Anne Frank” e trabalhos sobre o Holocausto como “O Rapaz do Pijama às Riscas”; no departamento da fantasia e aventura, o sucesso são coleções como o Harry Potter, que explora o mundo da magia, e o Cherub, sobre uma divisão imaginária dos Serviços Secretos Britânicos que recruta agentes até aos 17 anos.

Prazer versus obrigação

“Acho que o primeiro da coleção li num fim de semana”, diz Manuel Moutinho, 17 anos, em relação à coleção Cherub, confirmando a tendência. Também não por acaso, um dos livros que mais gostou foi “Os Filhos da Droga”.

Como muitos outros adolescentes, Manuel gosta de estar com os amigos, navegar na net e jogar computador. Também aprecia desporto e pratica kickboxing desde os 14. Ler está fora das suas preferências, pega apenas em um ou dois livros por ano, apesar de estar sensibilizado para a importância da leitura. Manter o foco não lhe é fácil. “Se for um livro de que eu goste mesmo, consigo estar a ler sem me distrair com o telefone, mas se for, por exemplo, um livro para a escola, que estou a ler obrigado e do qual não gosto muito, é mais difícil e um bocado frustrante.”

Teresa Calçada, Comissária do Programa Nacional de Leitura (PNL2027), concede que entre as muitas causas da quebra de leitura por prazer entre os mais jovens está “o peso desproporcionado da leitura escolar e obrigatória imposta por programas, metas e avaliações curriculares, face a outras leituras”. Ou seja, há muitas leituras a fazer por obrigação e pouco investimento na promoção da leitura por prazer.

Não que alguém seja contra as leituras literárias no âmbito dos programas curriculares: “Mesmo as que possam ser mais aborrecidas devem, na minha ótica, continuar a existir. É uma forma de os alunos terem boas referências literárias e culturais”, defende Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação/Academia de Alto Rendimento Escolar WOWSTUDY e autor de vários livros sobre o estudo dos mais novos. A questão passa por investir, motivar e dar tempo para as leituras autónomas, dentro do gosto e interesse de cada um, e sem uma avaliação formal associada.

“Se for um livro de que eu goste mesmo, consigo estar a ler sem me distrair com o telefone, mas se for, por exemplo, um livro para a escola, que estou a ler obrigado e do qual não gosto muito, é mais difícil e um bocado frustrante.” (Manuel, 17 anos)

“A criança tem de aprender a diferença entre o ato de aprender e o prazer de ler”, defende Teresa Silveira, investigadora e autora do livro “O Cérebro e a Leitura”. Por isso, faz um apelo: “Se a criança não está em aprendizagem e a ideia é promover a leitura e o prazer de ler, não façam fichas com perguntas depois”, defende. “Imagine que nos obrigavam a responder a uma ficha com perguntas sobre o filme de cada vez que vamos ao cinema. Se calhar deixávamos de ir tanto.”

Andreia Brites garante que esta necessidade de trabalho associada a tudo mata mesmo outros gostos que lhes podiam ser próximos: “Se há coisa que podia entrar muito bem na rotina dos adolescentes é a poesia: é curta, rápida, está próxima da composição musical e fala de coisas que normalmente lhes são próximas. Acaba por não lhes interessar porque vem sempre acompanhada de um pedido de interpretação do que foi lido”.

Mas será que vale a pena “obrigá-los” a pegar num livro uns minutos por dia? “A maioria dos miúdos não lê em casa porque os pais também não leem”, considera Andreia Brites. O exemplo não é tudo mas é muito, por isso a mediadora entende que pedir-lhes para lerem 15 ou 20 minutos, mesmo meio contrariados, não é necessariamente mau se (e este (“se” é de grande importância) os pais se sentarem ao lado deles a fazer o mesmo. Ou seja, “criar ambientes propícios à leitura, não só deixá-los sozinhos e em silêncio. Às vezes é um ambiente afetivo: porque é que os miúdos gostam tanto que lhes leiam histórias em pequenos?”.

O cérebro dos nativos digitais

Saber ler e gostar de ler são duas coisas muito diferentes. Aprender a ler, hoje, já quase toda gente aprende mas, apesar disso, poucos aprendem a gostar de ler. Teresa Silveira garante que a aprendizagem desse gosto passa por dois fatores essenciais: estimular-lhes a curiosidade, mostrando até onde aquele conjunto de símbolos pode transportar quem os descodifica; e trabalhar a atenção seletiva, porque sem ela é impossível o tipo de concentração exigida pela leitura.

As novas tecnologias acrescentaram dificuldades à capacidade de foco dos nativos digitais. Francisco Ferreira é uma exceção: fica com um ar surpreendido quando questionado sobre se não se deixa distrair pelo telemóvel quando está a ler, como tantas vezes acontece não só a adolescentes como a adultos. “Quando estou a ler, não estou com telemóvel; não é possível estar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, sustenta.

Não é possível mas é o que muita gente faz. E é por isso que, para Teresa Silveira, a pergunta essencial não é “o que se lê” mas antes “como se lê”. “Estamos a ficar ‘leitores-borboleta’: lemos um parágrafo e interrompemos, lemos outro e vamos ver o telemóvel. Sempre que há uma interrupção, o cérebro tem de fazer um esforço para retomar o sentido do texto, acaba por perder o fio à meada e, consequentemente, o interesse.”

“Estamos a ficar ‘leitores-borboleta’: lemos um parágrafo e interrompemos, lemos outro e vamos ver o telemóvel.” (Teresa Silveira, investigadora)

Mas, claro, a leitura não se pode reduzir aos livros em papel. A Internet é um mundo que permite acesso a muitas palavras. A questão é saber se os jovens usam essa potencialidade. O estudo “Lazer, Emprego, Mobilidade e Política”, publicado em 2015, diz que não. Apesar de 86,9% dos jovens entre os 15 e os 24 anos acederem à net todos os dias, usam-na sobretudo para consultar as redes sociais, conversar em tempo real, procurar informações relacionadas com eventos, produtos e serviços, ver vídeos e ouvir música. Apenas 34,2% dos jovens portugueses, por exemplo, acede a artigos de jornais.

E ainda que leiam alguma coisa, são geralmente textos com características que agravam o problema. “As tecnologias digitais fazem com que os alunos leiam textos geralmente mais curtos, mais concisos, mais resumidos, menos ricos gramaticalmente, semanticamente e linguisticamente”, opina Renato Paiva.

“Esse hábito de ler textos pequenos faz com que olhem para os livros mais densos como uma seca descomunal de 300 páginas estáticas, a maioria deles sem uma imagem.” E sem menorizar estas leituras mais rápidas, é preciso considerar que o leitor literário tem uma relação com o mundo de maior liberdade, acrescenta Andreia Brites. “Porque consegue descodificá-lo com mais facilidade, pensar sobre ele e ter sentido crítico. E isso, hoje, é quase uma urgência social.”

(Retirado daqui)

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

MILD - Manual de instruções para a literacia digital

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O MILD - Manual de instruções para a literacia digital é um portal da Rede de Bibliotecas Escolares que visa desenvolver as competências dos jovens dos 14 aos 18 anos nos domínios da leitura, dos media e da cidadania digitais.








terça-feira, 3 de setembro de 2019

Educação para os Media



"A Educação para os Media pretende incentivar os alunos a utilizar e decifrar os meios de comunicação social, nomeadamente o acesso e utilização das tecnologias de informação e comunicação, visando a adoção de comportamentos e atitudes adequados a uma utilização crítica e segura da Internet e das redes sociais.
O Ministério da Educação e Ciência, através da Direção-Geral da Educação, elaborou, no contexto das Linhas Orientadoras de Educação para a Cidadania, lançadas em dezembro de 2012, um Referencial de Educação para os Media para a Educação Pré-escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário. Este Referencial esteve disponível para consulta e discussão pública até dia 7 de fevereiro de 2014, tendo recebido aprovação do Sr. Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário a 29 de abril de 2014 (Ref.ª 96/13-133)."


Para recursos sobre o tema é só ir por aqui.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Recursos para produzir Media na escola.


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Este sítio apresenta uma lista de recursos gratuitos para incentivar os seus alunos a criarem conteúdos em áudio, vídeo, foto e texto.
Para mais recursos, vá por aqui.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

quinta-feira, 25 de julho de 2019

1,2,3...15 Minutos de Leitura



Este ano letivo, as Bbliotecas do Agrupamento propuseram a atividade 1, 2, 3...15 Minutos de Leitura. Todas as turmas do Agrupamneto tiveram 15 minutos por dia de leitura.

As turmas de 7ºB  e 8ºC, com a professora Ana Paula Boldt produziram padlets com as suas leituras. Para os ver é só ir por aqui e aqui.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Histórias ao adormecer

"Contar histórias às crianças, antes de irem dormir, começa a tornar-se uma prática frequente. Até mesmo nas famílias com menos hábitos de leitura. Nos adultos cresce a certeza que as crianças devem ter livros. Mas ainda não somos um país de leitores.   


Quando a bebé nasceu coube ao pai assumir a tarefa de contar histórias à filha mais velha. Todas as noites, Ismael Coelho, 40 anos, lia para Beatriz. Não lia um livro, nem dois, nem três… Lia mais. Como era difícil chegar ao último livro antes de dormir, o pai encurtou as histórias. Para que o sono começasse, assim, a chegar mais cedo.

Contar histórias às crianças, no aconchego dos lençóis, começa a tornar-se hábito. Mesmo pais cujos progenitores nunca leram para eles, hoje, leem aos filhos. A leitura faz-se porque se entende que os miúdos devem ler. Disso depende o sucesso escolar. Coisa séria. Mas do saber ler ao gostar de livros; dos pais e mães que leem aos filhos até aos que são leitores assíduos, há muito para contar.

Por força da profissão, Ismael Coelho costuma ler livros e revistas sobre contabilidade e fiscalidade. Nada que interesse a Beatriz de seis anos, nem a Inês de três. “O Grande Livro das Fábulas para Adormecer” e outras aventuras, como as dos desenhos animados “Masha e o Urso”, são algumas das leituras que agradam às miúdas. Beatriz já sabe ler, mas continua a preferir que a mãe lhe leia. “É um bocado preguiçosa, diz que se estiver a ler não consegue perceber a história”, explica Ismael. Apesar de o pai ter assumido a “pasta” recentemente, a mãe continua a ser a contadora de histórias oficial. Também era ela quem, segundo o marido, “lia muito, antes das miúdas nascerem”. Agora, os tempos são outros.   

Se os pais têm o hábito de ler em casa, é possível que as crianças se sintam mais motivadas para a leitura. Mas para gostar de livros, o exemplo parental não basta. Clara Haddad, contadora de histórias profissional, acredita que para despertar o gosto da leitura, é preciso deixar a criança escolher os livros que quer ler. “A criança tem o seu próprio gosto. Mas, às vezes, os pais acham que esse gosto não é o ideal. Querem incutir outro gosto. E criam uma barreira muito grande à leitura.”

Escolher livros para ler às crianças atordoa muitos pais. Conhecendo bem esse drama, a contadora que recentemente se estreou como escritora infantil, criou um blogue onde dá sugestões semanais de leitura. “Mas nas primeiras leituras não adianta nada pensar em temas”, desdramatiza. “O adulto julga a partir do texto, mas a criança não. Ela quer ver a cor, ouvir o som e sentir o livro.”

terça-feira, 23 de julho de 2019

À volta dos livros


"À volta dos livros" é uma rubrica da Antena 1 com edição de Ana Daniela Soares. São conversas diárias com autores portugueses sobre as suas mais recentes obras. Para ouvir é só ir por aqui.
Boas leituras!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A Casa do João nº8

(Clicar para aceder à revista)

Saiu o nº8 da revista de Literatura Infantil e Juvenil, "A Casa do João", dirigida a crianças, pais, educadores e professores, da responsabilidade do escritor João Manuel Ribeiro. 


Os temas deste trimestre são:

EDITORIAL 
Comprometidos com a Educação Literária e Ambiental 

UMA HISTÓRIA POR DIA DA SAÚDE E ALEGRIA! 

GALERIA: QUEM E QUEM 
Natércia Rocha: Escritora, investigadora, critica... 

FALÁMOS COM 
Entrevista a Sandra Sousa 

UAU
Nós somos todos feitos de poesia 

O MISTÉRIO DA ESCRITA 

DOS LIVROS PARA A TELA 
Tintin e Asteric 

O MISTÉRIO DA ESCRITA 

DOS LIVROS PARA A TELA 

LEMOS, GOSTÁMOS E RECOMENDAMOS

OS NOSSOS PARCEIROS 
O Centro Cultural de Amarante

A PALAVRA É TUA 
Pequenos grandes escritores 

PARA BRINCALHARES 

PARTICIPA NISTO 
Passatempo 

SAIU NA IMPRENSA 

NOTÍCIAS 

A revista "A Casa do João", nº 8. está disponível aqui
Para ler as outras revistas é só ir por aqui.

sábado, 20 de julho de 2019

Literacia dos media


"Uma Viagem à Literacia dos Media" é um desenho animado de 7 minutos, concebido para explicar, de forma simples e divertida, o que Literacia dos Media é para todos, e que, por isso,  é essencial para viver livremente e participar plenamente na sociedade. 


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Sites portugueses de notícias falsas


"Sites portugueses de notícias falsas? Sim, muitos. Estão sediados no Canadá, mas nasceram em Santo Tirso

Criam notícias falsas sobre a política portuguesa, que vários grupos nas redes sociais, com milhares de membros, divulgam depois. Uma investigação do “Diário de Notícias” demonstra a existência em Portugal de uma realidade paralela, destinada a enganar a opinião pública.


Uma fotografia pode ser o início de toda uma cadeia de mentiras. Quem a coloca e como, a mando de quem e com que fins é o que uma investigação do “Diário de Notícias” vem este domingo desvendar. O artigo prova que existem sites de fake news portugueses, sediados no Canadá, que partilham o mesmo IP e se dedicam a criar e disseminar notícias e imagens que favorecem ou desacreditam pessoas ou grupos políticos nas redes sociais — onde 63% dos portugueses consomem informação.

Vários desses sites estão ligados a uma empresa do norte, a Forsaken, que se autodefine como especializada em “criação e manutenção de sites, reestruturação de sites existentes, desenvolvimento de páginas num ambiente profissional e atraente, otimização de motores de busca (...), criação de imagens e banners, criação e manutenção de páginas em redes sociais”. Esta foi a empresa responsável, por exemplo, pela divulgação de uma imagem da dirigente do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, supostamente com um relógio de luxo que valeria 20 milhões de euros, e que vinha acompanhada de uma frase lapidar: “A maior fraude da política portuguesa depois de António Costa.” A fotografia gerou mais de 800 partilhas.

Segundo o “DN”, o site que a divulgou chama-se Direita Política, que tem como visados mais recentes João Galamba, João Gomes Cravinho, Maria Flor Pedroso, António Costa, Azeredo Lopes ou Jerónimo de Sousa.

Esta página possui o mesmo IP — a "morada" na internet, neste caso a 198.50.102.106, registada em H3E Montreal, Quebec — de muitas outras, como A Voz da Razão, Não Queremos um Governo de Esquerda em Portugal, Video Divertido ou Aceleras. A Forsaken, empresa de Santo Tirso, é dona destes registos e pertence a João Pedro Rosas Fernandes, que se afirma “descontente com a falta de contraditório que existia na comunicação social” e diz ser apoiante “desde o primeiro momento” de Trump e Bolsonaro. Rosas Fernandes é também sócio de duas empresas têxteis."

(Retirado daqui)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Bravo!


O texto "Uma ideia" do 6º B foi selecionado para fazer parte do livro Ajudaris 2019. Estão de parabéns os alunos e a professora Floripes pelo bom trabalho.



"Uma ideia!!

Estava na Bélgica. Era outubro de 2016 e aproximava-se o outono; era hora de migrar para um novo continente, à procura de um país mais quente. Já perceberam quem eu sou, sou uma andorinha!!!
Decidi que o meu destino seria África. A caminho, passei por vários países da Europa. Vi lindas paisagens, países muito evoluídos, grandes arranha-céus… Ao sobrevoar a cidade de Paris, avistei uma linda escola, que despertou a minha atenção. Tinha um espaço enorme, um edifício magnífico, lindos jardins e imensos alunos.
Fiquei muito triste quando vi alunos a colocarem os seus lanches nos baldes do lixo, enquanto estavam concentrados nos seus aparelhos eletrónicos. Seria isto normal?!
Continuei a minha grande viagem para África. Cheguei a um país chamado Senegal e, no meio de uma savana, encontrei uma bela árvore onde construí o meu ninho. Tinha uma vista magnífica; era um sítio incrível. Conseguia ver todos os dias um lindo por do sol, respirava-se um ar muito puro, era um paraíso!
Depois de algum tempo, reparei que lá no fundo, mas mesmo lá no fundo, conseguia observar uma escola. Era um barraco feito com pedaços de metal e pedras, muito, mas muito velho, sem qualquer tipo de condições. Mas os alunos eram crianças, muito felizes, brincavam umas com as outras. Os seus brinquedos eram improvisados com o lixo que encontravam nas ruas e a pouca comida que havia era partilhada por todos.
Depois de ter viajado por todos estes países, de diferentes culturas, diferentes costumes, diferentes classes sociais e etnias, questiono-me hoje e questiono-vos:
Em que mundo vivemos? Porque é que não temos todas as mesmas oportunidades, os mesmos direitos? Como podemos reduzir estas desigualdades e erradicar a fome?
Se todos os nossos excessos alimentares, de todos os países civilizados, fossem levados por todas as andorinhas que migram, talvez conseguíssemos erradicar a fome de África…"

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A Casa do João n.º 7

(Clicar para aceder à revista)

"O projeto «A Casa do João» está a consolidar-se. Depois da revista, eis que no próximo dia 01 de junho – Dia da Criança – inauguraremos oficialmente A Casa do João Rádio (já disponível em www.acasadojoaoradio.online). E está já em movimento (ainda que lento) o PEL – Programa de Educação Literária, que tem como missão e objetivo contribuir para a Educação Literária das crianças e jovens e (através) dos seus educadores (pais, educadores, professores e outros). Isto porque acreditamos que a EL proporciona a melhoria da qualidade e do nível de vida das pessoas, de desenvolvimento de competências e de conhecimentos, para além da educação formal. A Casa do João começa, assim, a ganhar a forma de um projeto consistente onde pode-se morar, aprendendo, construindo e sonhando, porque… O sonho comanda a Vida! Conheça estes e outros assuntos no n.º 7 de A Casa do João – Revista de Literatura Infantil e Juvenil."
(Retirado daqui)



segunda-feira, 17 de junho de 2019

O que as crianças perdem quando não há ogros, bruxas e princesas nas histórias infantis?

"As narrativas para os pequenos estão mudando; como eles e a sociedade são afetados pelo processo?



O pai, trabalhando / mãe, no lar/ tudo já está em seu posto / tudo já em seu lugar. Não parecem versos com os quais alguém gostaria de educar seus filhos, mas muitos pais que hoje defendem com firmeza os postulados feministas, para não dizer todos, provavelmente elogiaram a autora alguma vez. Sim, certamente todos eles o fizeram, pois a autora não é outra senão Gloria Fuertes, uma poetisa que se caracterizou pela identidade feminista e escreveu essas letras nos anos setenta, no livro El Hada Acamarelada. Cuentos em Verso (A Fada Melosa. Contos em Verso). São os mesmos versos que, curiosamente, faltavam em algumas versões publicadas em 2017, quando se comemorou seu centenário de nascimento. Segundo conta a professora de Educação Primária e Infantil da Universidade Internacional de La Rioja, Concepción María Jiménez, a estrofe não figurava em todas as novas edições, e poucas crianças lerão esses versos.

O caso exposto pela professora universitária dá uma medida de até que ponto existe um temor, uma atitude preventiva em relação ao conteúdo das histórias e — por uma justificável extensão — em relação a toda obra literária destinada às crianças. Para as tenras mentes infantis, as histórias podem se tornar exemplos perversos a imitar, podem ensinar modelos com os quais perpetuem atitudes inadequadas, prejudiciais à sociedade, quase imperdoáveis em casos extremos... Talvez seja assim, talvez não, mas não há dúvida de que as histórias exercem um efeito inegável na ideia da realidade desenvolvida pelas crianças. “São o caminho mais eficaz para responder ao que cada um sente, em que calçamos os sapatos do outro e que nos ajudam não apenas a nos conhecer e nos entender, mas também a reconhecer o mundo”, explica Jiménez.


As histórias devem ser realistas?

Quando você lê ao seu filho Chapeuzinho Vermelho, Cinderela ou Os Três Porquinhos não está apenas transmitindo uma história com a qual a criança se entretém, desfruta e viaja com imaginação. Além disso, e aqui está o mais interessante, você está mostrando a ele “o reflexo da vida, com a crueldade, a inveja, o egoísmo, a coragem, a generosidade e tudo que caracteriza o ser humano”, diz Jiménez. Tudo que é bom e tudo que é mau. “Talvez por isso, nas histórias, os personagens não sejam ambivalentes, isto é, não sejam bons e maus ao mesmo tempo como realmente são os seres humanos, o que ajuda as crianças a compreender mais facilmente a diferença entre a maldade e a bondade” reflete Jiménez.

E assim pensa a professora que as histórias deveriam ser, pois se não mostram a realidade como ela é perdem a capacidade de responder às perguntas que sempre acompanharam o ser humano, aquelas que giram em torno da tristeza, do amor, da inveja... Neste sentido, ela defende com firmeza os contos de fadas e sua linguagem simbólica, e contraria a opinião de que “esse tipo de relato narra histórias simplórias, onde não existem problemas e tudo é idealizado”. Segundo ela, “se olharmos para os contos de Andersen ou dos irmãos Grimm veremos muitas coisas que seriam perversas: bruxas, ogros, atrocidades, crimes... Existe muito drama e muito conflito, algo de que as crianças tendem a gostar”.

Mas o enfoque próprio dos contos tradicionais não costuma ser visto em muitas histórias infantis modernas nas quais, de acordo com Jiménez, “o que encontramos são instruções para administrar as emoções, para controlar os estereótipos e os gêneros, e para trabalhar os valores, quando, na verdade, o conto é algo íntimo, que cada pessoa interpreta de seu próprio interior”. A professora diz que direcionar esses sentimentos através da literatura é como fornecer uma receita para a vida. De acordo com ela, e por muito boas intenções que se tenham ao fazê-lo, algumas das histórias que se contam agora tratam sobre como devemos instruir a criança para que veja a vida de “forma bonita”, ou seja, como um lugar onde não existem decepções, conflitos ou dor: “Uma mentira que faz parte dessa nova política de não incomodar. Uma tarefa que fazem suprimindo o que é característico do conto tradicional, a transgressão, o simbolismo, a emoção, a ambiguidade...”

Uma maneira de entender que os outros pensam diferente

Além de mostrar à criança como é o mundo que a rodeia, cada história encerra uma mensagem única, “de forma simbólica, ensina a criança como lidar com as vicissitudes do dia a dia, aliviar os medos e enfrentar as ansiedades que certas incertezas podem provocar”, diz a professora. Neste caso é preciso levar em conta que o ensinamento que cada criança tira não é sempre o mesmo, pois cada um interpreta a história à sua maneira.

“O cérebro de cada criança se forma a partir de suas próprias experiências, mas também observando os exemplos da vida dos adultos, assim como as histórias que lhe contam. Estas têm um peso muito importante, embora não chegue a ser determinante”, esclarece Moisés de la Serna, doutor em Psicologia, escritor e mestre em Neurociência. Outra função que a Neurologia atribui às histórias é ajudar a criança a entender as dimensões do tempo e do espaço. Através da estrutura sequencial do relato, o cérebro cria lembranças que registra em ordem cronológica, o que, em última instância, pressupõe a existência de um passado, um presente e um futuro. É uma estrutura simples, mas básica para a vida social.

Segundo de la Serna, as histórias oferecem outra qualidade interessante para o desenvolvimento emocional das crianças. O especialista vê nesse tipo de histórias “uma maneira de aprender a entender que os outros podem ter diferentes formas de pensar, intenções e motivações”. Assim, o psicólogo diz que “a criança aumenta suas habilidades sociais desenvolvendo o que é conhecido como teoria da mente, isto é, a capacidade de saber que os outros têm pensamentos diferentes dos que ela tem”. Muito próxima dessa ideia, a professora Jiménez relaciona outra capacidade mais com a leitura de histórias, a de ensinar a se colocar na pele do outro (algo que nem sempre é benéfico), “essa empatia tão necessária em nossos dias”. Todas essas qualidades podem ser encontradas em maior ou menor grau nas histórias de todas as épocas, embora seja verdade que com nuances significativas que variam com o momento histórico.

O que existe de ‘tóxico’ nas histórias?

Jiménez descreve uma evolução interessante desse tipo de histórias, com ênfase em alguns aspectos particularmente relevantes. Para começar, temos as “histórias com moral de Perrault, nas quais se percebe a crueldade e há inclusive finais dramáticos. Mais tarde, no século XIX, os irmãos Grimm publicaram essas mesmas histórias suavizando o final para evitar tanta ‘crueldade’. E no século XX, a Disney também transformou várias dessas histórias para levá-las ao cinema”, diz. E as mulheres sabem bem que o cinema nem sempre conta as coisas como são. Finalmente, a especialista acredita que, desde a década passada, muitas dessas histórias primigênias foram manipuladas ou adaptadas para responder a necessidades diferentes, para se adequarem à época atual.

A doutora em Pedagogia, professora da Universidade Rovira i Virgili, escritora e contadora de histórias Maria Concepción Torres acredita que “os elementos do conto tradicional ainda aparecem em muitas narrativas atuais, enquanto muitos deles tentam apresentar situações reais próximas do menino ou da menina, ou do jovem ao qual se dirige a história: suas vivências, suas preocupações... que não são as mesmas de 10 ou 20 anos atrás”. Daí a mudança de enfoque, que desafia a tradição e tem um reflexo tangível fora das páginas das histórias para crianças.

Por exemplo, uma escola em Barcelona decidiu retirar de sua biblioteca Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida, junto com outros 200 títulos (30% dos livros do jardim da infância) por conterem histórias “tóxicas” do ponto de vista de gênero. É uma decisão que convida os pais a considerar se devem ler essas histórias para seus filhos ou se isso ajudaria a perpetuar o machismo na sociedade. Em outras palavras, uma notícia que mostra a enorme importância atribuída aos contos infantis na formação da sociedade.

Mas os contos, como qualquer mensagem, não devem ser tirados do contexto. “As mensagens dessas histórias devem ser situadas no momento de sua criação para poder compreendê-las. Quando as transferimos para a nossa realidade é quando se faz essa análise de estereótipos sexistas”. Torres defende os contos tradicionais e considera que devem continuar sendo transmitidos para poder contrastar a história com a realidade e, assim, gerar um pensamento crítico. E isso, ironias da literatura, certamente ajuda a ser mais livre no mundo real."

Texto retirado daqui.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Dia D, o desembarque na Normandia

(Clicar sobre a imagem)

"Em 6 de Junho de 1944, as tropas aliadas desembarcavam no norte de França iniciando a operação militar decisiva para a vitória dos aliados e para o fim da II.ª Guerra Mundial.
Quase 200 mil soldados aliados e milhares de navios de guerra atravessaram o canal da mancha para defrontar a “Muralha do Atlântico”, a linha da defesa erguida pelos alemães no norte de França.

Os aliados sofreram mais de 10 mil baixas só no primeiro dia. 70 anos depois, quatro antigos militares, dois pilotos e dois para-quedistas, que estiveram no centro da ação do “Dia mais Longo”, recordam aquele que foi o princípio do fim da II.ª Guerra Mundial."

Retirado daqui.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Concurso de Contadores de Histórias




Mais uma vez, vai acontecer o Concurso "Conta-me uma História", amanhã, dia 14, pelas 10h15, no auditório da nossa escola.

Este ano, temos 17 alunos inscritos, alguns individualmente, outros em pares.
Como de costume, o concurso tem um júri constituído por dois professores e dois alunos.
Se gostas de ouvir histórias, vai até ao auditório!!!

LER OU CONTAR?


Muitas vezes, ou quase sempre, toma-se ler por contar e contar por ler, como sendo sinónimos. Não é assim.  Há algumas diferenças entre ler e contar. Quem no-lo lembra é Aidan Chambers, escritor e pedagogo norte-americano, no livro Queres que te conte um conto? Um guia para narradores e contadores (edição em castelhano, de Banco del Libro, Venezuela).
Vejamos então algumas das diferenças entre a narração de contos e a leitura em voz alta:
Na narração de contos, prevalece a relação entre o narrador e o ouvinte, como se fosse uma conversa, com um sentido e destinatário pessoal, na medida em que quem conta dá algo de si àquele que escuta. Na leitura em voz alta, ao invés, é o livro quem centra e objetiva a experiência. Neste caso, a relação é a de duas pessoas que partilham algo que lhe é externo, o livro. Não se trata de um contador e de um ouvinte olhando-se, mas de um leitor e de um ouvinte, um ao lado do outro, olhando juntos para o livro. Na leitura em voz alta, a comunicação estabelece-se por meio de palavras e de imagens que provêm de alguém que não está presente, o autor, mas que tem algo a dar-nos.
A narração de contos orienta-se para o emocionalmente dramático; a leitura em voz alta para a contemplação reflexiva. A narração inclina-se para o prazer duma diversão; a leitura em voz alta, para o gozo do autorreconhecimento. A narração tende para o cabal, para o grupo exclusivo, limita-se aos que escutam o contador. A leitura em voz alta tende para o mais além, para o grupo inclusivo, cujos poderes se veem ampliados pelo texto e pela linguagem, pelo pensamento de alguém que não está presente. A narração serve para confirmar a cultura; a leitura em voz alta é geradora de cultura.
A narração de contos exige mais do contador, a leitura em voz alta exige mais do ouvinte. A leitura em voz alta é uma comunicação menos direta entre o leitor e o ouvinte, porque, na escrita, o significado é, habitualmente, mais compacto, as frases estão construídas de uma forma mais densa do que na língua falada. Acresce que, na leitura em voz alta, o leitor e o ouvinte devem ver as palavras impressas para que possam captar os múltiplos sentidos. A forma como as palavras se dispõem na página é, não raras vezes, importante para a sua compreensão. Na narração de contos, o contador pode explicar e repetir, abreviar ou ampliar, enfatizar esta ou aquela parte.
Quem lê em voz alta não pode adaptar-se ao ouvinte com tanta liberdade, porque segue um texto autorizado, pelo que explicar ou mudar o texto pode arruinar a experiência de leitura e desqualificar o texto. O ouvinte da leitura em voz alta precisa de mais tempo para assimilar a a mensagem e compreender o que está a ler-se, pelo que a leitura em voz alta deve ser mais lenta e menos teatral. Por outro lado, uma vez que a fonte da leitura em voz alta é um texto visível, aos leitores iniciais pode mostrar-se o livro enquanto escutam.
Posto isto, importa realçar que ler e contar, apesar de não serem sinónimos nem  equivalentes, podem coexistir, em momentos distintos, no trabalho de educação literária e de fruição da literatura. Ambos os modos reclamam um tempo exigente de preparação, uma cuidada e adequada seleção de textos / contos e uma grande entrega pessoal para que a audição de textos (contada ou lida) seja uma mais valia para a vida dos pequenos leitores. (JMR)

Texto retirado daqui.