segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Literacia para os média e cidadania global: Caixa de ferramentas

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"O Projeto Acima da Média

 Os Meios de Comunicação têm um lugar central na vida dos jovens, através da televisão, internet, rádio e redes sociais. A informação está cada vez mais disponível em tempo real e em meios como os tablets ou smartphones, o que aumenta o tempo de exposição dos mais jovens. Desta forma, torna-se claro que as suas visões do mundo estão bastante ligadas com a informação que os mesmos recebem todos os dias e em qualquer lugar. No entanto, torna-se também claro que os jovens – mas também os adultos – não estão preparados para analisar criticamente toda esta quantidade de informação recebida, adotando muitas vezes uma postura passiva. Isto leva a que as visões e representações do mundo, bem como as ações, se caracterizem muitas vezes por serem o reflexo do imediatismo mediático, em vez de uma perspetiva e cidadania crítica dos eventos que nos rodeiam.


O Projeto “Acima da Média! Descodificação dos Média ao Serviço da Cidadania Global” tem como objetivo Dotar os jovens de capacidades para a descodificação dos Média na sua relação com o desenvolvimento de modo a contribuir para um melhor exercício da cidadania global. (...)


Este guia mais do que querer ser um “livro” com as respostas todas, pretende ser uma maneira de lançar pistas de reflexão e servir de apoio a organizações e educadores que queriam trabalhar e desenvolver a temática da análise crítica dos média e com “os seus” públicos. (...)




sábado, 19 de outubro de 2019

Roda dos Alimentos - Alimentação saudável

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"Completa, equilibrada e variada. Conselhos básicos para uma alimentação saudável que se quer a praticar todos os dias. Por isso, este novo gráfico vem valorizar e reforçar a importância da Dieta Mediterrânica no estilo de vida dos portugueses. Porque ainda há uma grande percentagem da população a comer mal e a mexer-se pouco.
Refrigerantes, bolos, bolachas ou enchidos não entram nesta roda que mais parece um prato onde apenas são servidos alimentos que fazem bem à saúde. Dividido em fatias supercoloridas, o novo gráfico, embora não muito diferente do que foi criado em 2003 e que veio substituir o original da década de 70, tem novos produtos a reforçar a importância do padrão alimentar mediterrânico, como a romã, a castanha e as beldroegas. Com a água no centro, os vários grupos de alimentos que compõem este guia pedagógico têm também a informação sobre as porções diárias recomendadas para todas as faixas etárias.

Explorar esta roda interativa na página da Direção-Geral de Saúde é também recordar os princípios básicos da Dieta Mediterrânica, desde 2013 considerada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Escolher alimentos locais e da época, comer frutos secos, usar ervas aromáticas, partilhar refeições e dedicar tempo à atividade física são conselhos a reter, alguns sublinhados aqui por Pedro Graça Dias, da DGS."

(texto retirado daqui)

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Poesia de Luís de Camões.

No dia em que sabemos que o dia 5 de maio será comemorado o Dia Mundial da Língua Portuguesa, lembremos o grande poeta da nossa língua: Luís Vaz de Camões.

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"O ator e declamador dá corpo e voz a Luís de Camões para saber pormenores "da vida mais desgraçada que jamais se viu". E diz que não há nenhum poeta português digno desse nome que não tenha dedicado um verso ao autor dos Lusíadas. Alguns estão no programa.
Mário Viegas foi uma das figuras mais carismáticas do teatro português do século XX. Mas antes de ser ator, foi um “dizedor” de poesia, como se auto-intitulava. Numa vida inteira dedicada às palavras, que interpretou e recitou com um estilo inimitável, foi sempre um divulgador de poesia.

Achava que Portugal tinha alguns dos maiores poetas do mundo, que mereciam ser ditos em voz alta para serem escutados, sentidos, e, talvez,  entendidos. Foi a dizer poemas que chegou à televisão pública em 1984. Em Palavras Ditas ouvimos os poetas pela sua voz."

(Retirado daqui)

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Dia Mundial da Alimentação – 16 de outubro


"A 16 de outubro de 1945, no Canadá (Quebec), foi fundada a FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, com a missão de aumentar os níveis de nutrição e os padrões de vida, melhorar a produtividade na agricultura e as condições de vida das populações rurais. Desde a sua criação, a FAO tem trabalhado para atenuar a pobreza e a fome, promovendo o desenvolvimento agrícola, uma melhor alimentação e o alcance da segurança alimentar, definida como o acesso permanente de todas as pessoas aos alimentos de que necessitam para uma vida ativa e saudável.

O Dia Mundial da Alimentação é celebrado desde 1981. Esta data é comemorada por mais de 150 países com o intuito de alertar e consciencializar a opinião publica para questões globais relacionadas com a alimentação e nutrição. Segundo a UNICEF, numa publicação feita em 2006, mais de 5,5 milhões de crianças menores de 5 anos de idade morrem anualmente devido a causas relacionadas à desnutrição.

Os objetivos primordiais para a celebração do Dia Mundial da Alimentação são:

  • Aumentar a sensibilidade geral para o problema da fome no mundo;
  • Chamar a atenção para a produção agrícola de alimentos e estimular os esforços nacionais, bilaterais, multilaterais e não-governamentais para este fim;
  • Promover a transferência de novas tecnologias para os países em desenvolvimento;
  • Fortalecer a solidariedade internacional e nacional na luta contra a fome, subnutrição e pobreza e dedicar especial atenção ao progresso nas áreas da alimentação e agricultura;
  • Encorajar a participação da população rural, particularmente das mulheres e das camadas sociais mais desfavorecidas, nas decisões e atividades que influenciam as suas condições de vida;
  • Encorajar a cooperação técnica e económica no seio dos países em desenvolvimento.

(Texto retirado daqui)




terça-feira, 15 de outubro de 2019

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Somos o que comemos?




Carl Warner, uma artista plástico, criou obras de arte a partir de alimentos. A montagem acima pode ilustrar a ideia de que somos o que comemos, não acham?
Neste início da Semana da Alimentação, a Biblioteca recebe os alunos do 2º Ciclo a fim de desenvolver uma série de atividades que focam a importância da alimentação na nossa saúde.




sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Alimentação ou não...


Há, na Internet, toda uma série de livros que nos podem ajudar no que diz respeito à alimentação. 


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Outros livros há que, falando de alimentos, se servem deles para falar de sentimentos.







E o que dizer do menino que comia livros?



quinta-feira, 10 de outubro de 2019

90 segundos de ciência


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Pela própria voz, cientistas portugueses de todas as áreas de investigação, das ciências sociais às ciências exatas, passando pelas humanidades, dão a conhecer a ciência que se faz em 90 segundos.  O "90 segundos de ciência" acontece de 2ª a 6ª feira na Antena 1, duas vezes por dia, antes das onze da manhã e antes das sete da tarde.


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Mês Internacional da Biblioteca Escolar



A celebração dos livros, da leitura e da Biblioteca inicia-se hoje. "Let's Imagine" é o tema para o International School Library Month (ISLM), que, em português foi traduzido para "Vamos Imaginar".

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Cidadania: pensar e intervir

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"Assumindo o desígnio, inscrito na Carta do Conselho da Europa sobre a Educação para a Cidadania Democrática e a Educação para os Direitos Humanos, de transformação da sociedade por via da educação de cada cidadão, a RBE criou um sítio em linha, Cidadania e Biblioteca Escolar – Pensar e Intervir, com o propósito de promover uma cultura de cidadania democrática, reforçando o papel da biblioteca escolar no aprofundamento dos conteúdos do currículo e na formação integral das crianças e jovens nos dias de hoje, em convergência com a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória.

Enquadrando-se no plano não formal e informal da educação, os conteúdos deste sítio estruturam-se em três áreas de ação: Dinâmicas educativas, Clips e Notas das escolas."

"Os termos de pesquisa propostos seguem a agenda nacional e internacional para o desenvolvimento, estão de acordo com os domínios da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e são 17:

Direitos humanos:
Integra, entre outros, os seguintes temas: racismo, xenofobia, tortura, pena de morte, discriminação, assédio, violência e bullying;

Igualdade de género:
Identidade e diversidade cultural e religiosa, património cultural; migrantes, refugiados, ciganos e outras minorias são alguns dos temas que integram este domínio

Interculturalidade;

Desenvolvimento sustentável:
Património ou ambiente natural, poluição e desperdício, energia, cidades educadoras/ aprendentes e ambientes inteligentes são alguns dos temas que integram o domínio do Desenvolvimento Sustentável;

Educação ambiental;

Saúde;

Sexualidade;

Media:
Capacitação em meio digital e inclusão digital; verdade, fake news e jornalismo são alguns dos tópicos que cabem neste âmbito;

Instituições e participação democrática:
Justiça, integração europeia e objeção de consciência são, alguns dos temas incluídos neste domínio;

Literacia financeira e educação para o consumo;

Segurança rodoviária;

Risco:
Riscos naturais, tecnológicos e financeiros e proteção civil constituem alguns dos temas que integram este domínio;

Empreendedorismo;

Mundo do trabalho:
Formação profissional e empregabilidade, flexibilidade trabalho - vida pessoal, desemprego, ócio, igualdade de oportunidades e inclusão social, inclusão escolar e educação não formal são temas que integram este domínio;

Segurança, defesa e paz;

Bem-estar animal;

Voluntariado.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Tratar os media por tu



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Com autoria dos investigadores Patrícia Silveira, Clarisse Pessôa, Diana Pinto, Simone Petrella e Amália Carvalho do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, a Direção-Geral da Educação lançou em 2017, em edição digital, a brochura “Tratar os Media por Tu – Guia prático de Educação para os Media”.

Esta publicação visa oferecer aos docentes do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário um conjunto de propostas práticas para a abordagem dos Media em contexto de sala de aula.


segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Bom ano!




Começaram as visitas à Biblioteca! Mais uma ano se inicia e os alunos aprendem a conhecer este espaço, a forma como está organizado,como podem aproveitar tudo o que de bom tem para lhes oferecer.
Valter Hugo Mãe diz: "As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem  está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros." (ler mais aqui.)

Que os alunos viajem,  convoquem o mundo inteiro, partam à aventura, é sempre o nosso desejo!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Resoluções de Ano Novo. Ler é muito importante e a ciência dá-lhe 7 razões para o fazer



E não estamos a falar de posts no Facebook ou Instagram. Os livros afetam diferentes partes do cérebro e tornam-nos mesmo mais inteligentes.

A memória, a concentração, a calma, a inteligência cognitiva e emocional. Ler faz mesmo maravilhas e é uma rotina que deve adotar para a vida. Se o hábito não faz parte do seu quotidiano, faça por inclui-lo. Troque a Netflix ou a televisão por um livro e passe assim o serão. Dedique menos tempo a fazer scroll no Instagram ou Facebook, porque ler as publicações dos seus amigos e das páginas de que gosta não conta — na verdade, resulta num efeito oposto. Vários estudos já vieram dizer que as redes sociais estão a deixar-nos mais deprimidos, ansiosos, com menos auto-estima, pior qualidade de sono e um cérebro menos ágil — principalmente porque comprometem a capacidade da memória.

O desafio é esse. Introduza os livros na sua vida e reduza o tempo em frente aos ecrãs. O seu cérebro vai ficar feliz, de várias maneiras. Damos-lhe 7 argumentos, sustentados pela ciência.

Melhora a comunicação do cérebro

O hábito deve fazer parte da vida dos adultos, mas é absolutamente crucial na infância para um desenvolvimento cognitivo saudável. Um estudo de 2009, realizado pela Carnegie Mellon University, que contou com a participação de 72 crianças com idades entre os 8 e os 10 anos, mostrou que ler consegue alterar zonas do cérebro, aumentando a área de matéria branca — a que transporta informação entre regiões de matéria cinzenta, onde toda a informação é processada. Resultado? A comunicação entre regiões do cérebro e o processamento da informação tornam-se mais eficientes. Isto é especialmente importante para crianças que sofrem de problemas de desenvolvimento, como o autismo, por exemplo.

“A indicação de que a intervenção comportamental pode melhorar tanto o desempenho cognitivo quanto a microestrutura dos tratos da substância branca é um avanço para o tratamento e compreensão dos problemas de desenvolvimento”, explicou Marcel Just, um dos investigadores à frente do estudo, juntamente com Timothy Keller.

Desenvolve a capacidade para aprender informação nova

Ler transforma mesmo o cérebro, principalmente se implicar a aprendizagem de uma língua nova. Um estudo realizado em jovens recrutas da Swedish Armed Forces Interpreter Academy, em Uppsala, mostrou que a aprendizagem de um idioma diferente — num regime intensivo, o que implica muitas horas de leitura — aumenta determinadas zonas no cérebro: o hipocampo, relacionado com a aprendizagem de novas matérias, e três áreas do córtex cerebral.

Mais vocabulário e cultura geral

Por outro lado, de acordo com Keith Stanovich, que levou cabo vários estudos que relacionam a leitura e o desenvolvimento de capacidades cognitivas, pessoas que leem muito têm um vocabulário mais rico em 50% e conhecimento de cultura geral aumentado também em 50%.

Torna-nos mais inteligentes (cognitiva e emocionalmente)

A leitura e a inteligência andam lado a lado. Quando mais se dedicar à leitura, mais inteligente se tornará. Ao mesmo tempo que ler aumenta o nosso conhecimento — informação que guardamos no cérebro e que aplicamos em situações práticas da vida —, também melhora a nossa inteligência emocional. Um estudo realizado em 2013 pela New School for Social Research, em Nova Iorque, mostrou que ler ficção literária (mais do que não-ficção) é capaz de nos tornar mais empáticos. Além disso, ajuda-nos a compreender o estado dos outros, as suas crenças, desejos, objetivos, princípios e motivações, mesmo que distintas da nossa — é a chamada Teoria da Mente, que nos permite fazer escolhas mais ponderadas, sermos mais tolerantes, compreendermos melhor os outros e expandirmos a nossa mundividência. No fundo, há potencial para nos tornarmos melhores pessoas.

Reduz o stresse

Ler significa focarmo-nos noutra coisa — abre-nos a porta para um novo mundo e deixa-nos absolutamente abstraídos da nossa realidade (e problemas). De acordo com o “The Telegraph“, em 2009, investigadores da Universidade de Sussex, no Reino Unido, analisaram a capacidade que algumas atividades têm para reduzir os níveis de stresse, ao medirem o ritmo cardíaco e tensão muscular. De acordo com o estudo, ler tem um efeito mais calmante do que as caminhadas, uma chávena de chá ou até música. Nos resultados, ler apenas durante seis minutos foi capaz de baixar os níveis de stresse em 68% — a caminhada baixou em 42%, o chá em 54%, a música em 61%.

Aumenta os anos de vida

Ler poderá aumentar a longevidade. Um estudo realizado pela Universidade de Yale concluiu que as pessoas que leem livros durante cerca de 30 minutos por dia vivem mais dois anos do que aqueles que só consomem revistas e jornais. A investigação envolveu 3.600 participantes com mais de 50 anos, que foram seguidos durante 12 anos. Aqueles que liam 3,5 horas por semana tinham menos 23% probabilidade de morrer — os que liam menos tempo tinham menos 17% probabilidade de morrer.

Aumenta a capacidade de concentração

Em 2012, um grupo de investigadores da Universidade de Stanford analisou os padrões cerebrais de um grupo de pessoas que estava a ler um romance da autora Jane Austen. Os resultados deixaram afirmar que ler é um “verdadeiro e valioso exercício para o cérebro das pessoas”, uma vez que se desencadeiam diferentes tipos de mecanismos de concentração e entrega à tarefa, de acordo com o objetivo: ler por lazer ou ler para aprender.
“Prestar atenção a um texto requer a coordenação de múltiplas funções cognitivas complexas”, disse a coordenadora do estudo, Natalie Phillips. Quando se trata de ler por hobbie, os fluxos movem-se para sítios distintos, criando padrões diferentes.


Texto retirado daqui

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O que leem (e como leem) os adolescentes?




Ler implica foco, silêncio, um tempo lento. Ou seja, o contrário dos hábitos dos nativos digitais. Mais do que saber se cumprem as leituras escolares, importa descobrir o que é que os jovens leem por puro prazer e como é que esse gosto se pode estimular.

Francisco Ferreira trata os livros com estima, mas também com familiaridade suficiente para não recear dobrar os cantos das páginas em vez de usar marcador. É um leitor eclético como mostram os três livros que traz na mão: “Diário de um Adolescente na Lisboa de 1910” de Alice Vieira, que conta a história de um rapaz à época da queda da monarquia; “An Adventure on Madeira Island”, tradução inglesa da famosa coleção “Uma Aventura” de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada; e “Little House on the Prairie”, uma novela de 1935, da americana Laura Ingalls Wilder, sobre as suas experiências enquanto criança no centro oeste do país.

“Gosto de ler em inglês porque ganho mais vocabulário”, explica o adolescente de 15 anos, que frequenta o 9.º ano.

Usa várias vezes a expressão “estou a trabalhar um livro” quando se refere às leituras da escola mas, por oposição, considera as suas próprias leituras, que faz sobretudo quando está de férias, como momentos de descanso, deixando muito clara a fronteira entre a leitura por obrigação e por prazer.

Prazer para o qual tem pouco tempo durante a época de escola, com as aulas, os trabalhos de casa e os testes, mas nas férias de verão costuma aviar oito ou nove livros. Apesar de fazer esta distinção entres os dois tipos de leituras, isso não quer dizer que não aprecie algumas das obras que tem de estudar.

“Este ano já dei o ‘Auto da Barca do Inferno’ e gostei, é uma história interessante e divertida. O ano passado tive de ler o ‘Hobbit’ de J. R. R. Tolkien e o ‘Que Farei com Este Livro’ de José Saramago, e não gostei de nenhum dos dois: o vocabulário era pouco acessível.”

“Gosto de ler em inglês porque ganho mais vocabulário” (Francisco, 15 anos)

Os três livros que traz consigo têm histórias muito diferentes, mas uma coisa em comum: as personagens são adolescentes, como ele próprio. Não há grande mistério nesta preferência: os adolescentes gostam de ler obras com protagonistas da mesma idade porque conseguem relacionar-se com a história sob uma perspetiva mais pessoal.

“Nós só conseguimos ler aquilo para que estamos preparados”, explica a mediadora de leitura Andreia Brites. “Podemos ler um livro difícil do ponto de vista da linguagem se o tema nos for próximo e o inverso também é possível: ler algo cujo tema nos é estranho e sobre o qual não temos um conhecimento prévio estruturado, se for numa linguagem simples que nos permita compreender.”

Para Andreia, que trabalha desde 2005 nas bibliotecas de todo o país, sobretudo com jovens, esta adequação é muito importante: pô-los perante coisas para as quais não estão preparados é “matar” leitores. “Se lhes damos um tipo de livro para o qual ainda não tem competências, ele não só vai rejeitar aquele livro como muitos semelhantes.”

A mediadora acredita que recomendar-lhes leituras passa sobretudo por conhecê-los. “Gostam de animais, de carros ou de um desporto? São mais imaginativos ou mais pragmáticos? Há algum filme ou jogo de computador de que gostem e que possa influenciar na leitura de um livro? Tudo é válido. O mais importante é conhecê-los.”

Apesar disso, garante que há temas e géneros que, por norma, lhes são caros. “Os adolescentes, tipicamente, têm uma grande necessidade de ter, por um lado, contacto com as tragédias e com a realidade mais dura e, por outro, com a fantasia e a aventura.”

Isso ajuda a explicar os grandes fenómenos editoriais entre adolescentes: na categoria de “realismo verídico” estão volumes como “Os Filhos da Droga”, “O Diário de Anne Frank” e trabalhos sobre o Holocausto como “O Rapaz do Pijama às Riscas”; no departamento da fantasia e aventura, o sucesso são coleções como o Harry Potter, que explora o mundo da magia, e o Cherub, sobre uma divisão imaginária dos Serviços Secretos Britânicos que recruta agentes até aos 17 anos.

Prazer versus obrigação

“Acho que o primeiro da coleção li num fim de semana”, diz Manuel Moutinho, 17 anos, em relação à coleção Cherub, confirmando a tendência. Também não por acaso, um dos livros que mais gostou foi “Os Filhos da Droga”.

Como muitos outros adolescentes, Manuel gosta de estar com os amigos, navegar na net e jogar computador. Também aprecia desporto e pratica kickboxing desde os 14. Ler está fora das suas preferências, pega apenas em um ou dois livros por ano, apesar de estar sensibilizado para a importância da leitura. Manter o foco não lhe é fácil. “Se for um livro de que eu goste mesmo, consigo estar a ler sem me distrair com o telefone, mas se for, por exemplo, um livro para a escola, que estou a ler obrigado e do qual não gosto muito, é mais difícil e um bocado frustrante.”

Teresa Calçada, Comissária do Programa Nacional de Leitura (PNL2027), concede que entre as muitas causas da quebra de leitura por prazer entre os mais jovens está “o peso desproporcionado da leitura escolar e obrigatória imposta por programas, metas e avaliações curriculares, face a outras leituras”. Ou seja, há muitas leituras a fazer por obrigação e pouco investimento na promoção da leitura por prazer.

Não que alguém seja contra as leituras literárias no âmbito dos programas curriculares: “Mesmo as que possam ser mais aborrecidas devem, na minha ótica, continuar a existir. É uma forma de os alunos terem boas referências literárias e culturais”, defende Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação/Academia de Alto Rendimento Escolar WOWSTUDY e autor de vários livros sobre o estudo dos mais novos. A questão passa por investir, motivar e dar tempo para as leituras autónomas, dentro do gosto e interesse de cada um, e sem uma avaliação formal associada.

“Se for um livro de que eu goste mesmo, consigo estar a ler sem me distrair com o telefone, mas se for, por exemplo, um livro para a escola, que estou a ler obrigado e do qual não gosto muito, é mais difícil e um bocado frustrante.” (Manuel, 17 anos)

“A criança tem de aprender a diferença entre o ato de aprender e o prazer de ler”, defende Teresa Silveira, investigadora e autora do livro “O Cérebro e a Leitura”. Por isso, faz um apelo: “Se a criança não está em aprendizagem e a ideia é promover a leitura e o prazer de ler, não façam fichas com perguntas depois”, defende. “Imagine que nos obrigavam a responder a uma ficha com perguntas sobre o filme de cada vez que vamos ao cinema. Se calhar deixávamos de ir tanto.”

Andreia Brites garante que esta necessidade de trabalho associada a tudo mata mesmo outros gostos que lhes podiam ser próximos: “Se há coisa que podia entrar muito bem na rotina dos adolescentes é a poesia: é curta, rápida, está próxima da composição musical e fala de coisas que normalmente lhes são próximas. Acaba por não lhes interessar porque vem sempre acompanhada de um pedido de interpretação do que foi lido”.

Mas será que vale a pena “obrigá-los” a pegar num livro uns minutos por dia? “A maioria dos miúdos não lê em casa porque os pais também não leem”, considera Andreia Brites. O exemplo não é tudo mas é muito, por isso a mediadora entende que pedir-lhes para lerem 15 ou 20 minutos, mesmo meio contrariados, não é necessariamente mau se (e este (“se” é de grande importância) os pais se sentarem ao lado deles a fazer o mesmo. Ou seja, “criar ambientes propícios à leitura, não só deixá-los sozinhos e em silêncio. Às vezes é um ambiente afetivo: porque é que os miúdos gostam tanto que lhes leiam histórias em pequenos?”.

O cérebro dos nativos digitais

Saber ler e gostar de ler são duas coisas muito diferentes. Aprender a ler, hoje, já quase toda gente aprende mas, apesar disso, poucos aprendem a gostar de ler. Teresa Silveira garante que a aprendizagem desse gosto passa por dois fatores essenciais: estimular-lhes a curiosidade, mostrando até onde aquele conjunto de símbolos pode transportar quem os descodifica; e trabalhar a atenção seletiva, porque sem ela é impossível o tipo de concentração exigida pela leitura.

As novas tecnologias acrescentaram dificuldades à capacidade de foco dos nativos digitais. Francisco Ferreira é uma exceção: fica com um ar surpreendido quando questionado sobre se não se deixa distrair pelo telemóvel quando está a ler, como tantas vezes acontece não só a adolescentes como a adultos. “Quando estou a ler, não estou com telemóvel; não é possível estar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo”, sustenta.

Não é possível mas é o que muita gente faz. E é por isso que, para Teresa Silveira, a pergunta essencial não é “o que se lê” mas antes “como se lê”. “Estamos a ficar ‘leitores-borboleta’: lemos um parágrafo e interrompemos, lemos outro e vamos ver o telemóvel. Sempre que há uma interrupção, o cérebro tem de fazer um esforço para retomar o sentido do texto, acaba por perder o fio à meada e, consequentemente, o interesse.”

“Estamos a ficar ‘leitores-borboleta’: lemos um parágrafo e interrompemos, lemos outro e vamos ver o telemóvel.” (Teresa Silveira, investigadora)

Mas, claro, a leitura não se pode reduzir aos livros em papel. A Internet é um mundo que permite acesso a muitas palavras. A questão é saber se os jovens usam essa potencialidade. O estudo “Lazer, Emprego, Mobilidade e Política”, publicado em 2015, diz que não. Apesar de 86,9% dos jovens entre os 15 e os 24 anos acederem à net todos os dias, usam-na sobretudo para consultar as redes sociais, conversar em tempo real, procurar informações relacionadas com eventos, produtos e serviços, ver vídeos e ouvir música. Apenas 34,2% dos jovens portugueses, por exemplo, acede a artigos de jornais.

E ainda que leiam alguma coisa, são geralmente textos com características que agravam o problema. “As tecnologias digitais fazem com que os alunos leiam textos geralmente mais curtos, mais concisos, mais resumidos, menos ricos gramaticalmente, semanticamente e linguisticamente”, opina Renato Paiva.

“Esse hábito de ler textos pequenos faz com que olhem para os livros mais densos como uma seca descomunal de 300 páginas estáticas, a maioria deles sem uma imagem.” E sem menorizar estas leituras mais rápidas, é preciso considerar que o leitor literário tem uma relação com o mundo de maior liberdade, acrescenta Andreia Brites. “Porque consegue descodificá-lo com mais facilidade, pensar sobre ele e ter sentido crítico. E isso, hoje, é quase uma urgência social.”

(Retirado daqui)

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

MILD - Manual de instruções para a literacia digital

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O MILD - Manual de instruções para a literacia digital é um portal da Rede de Bibliotecas Escolares que visa desenvolver as competências dos jovens dos 14 aos 18 anos nos domínios da leitura, dos media e da cidadania digitais.








terça-feira, 3 de setembro de 2019

Educação para os Media



"A Educação para os Media pretende incentivar os alunos a utilizar e decifrar os meios de comunicação social, nomeadamente o acesso e utilização das tecnologias de informação e comunicação, visando a adoção de comportamentos e atitudes adequados a uma utilização crítica e segura da Internet e das redes sociais.
O Ministério da Educação e Ciência, através da Direção-Geral da Educação, elaborou, no contexto das Linhas Orientadoras de Educação para a Cidadania, lançadas em dezembro de 2012, um Referencial de Educação para os Media para a Educação Pré-escolar, o Ensino Básico e o Ensino Secundário. Este Referencial esteve disponível para consulta e discussão pública até dia 7 de fevereiro de 2014, tendo recebido aprovação do Sr. Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário a 29 de abril de 2014 (Ref.ª 96/13-133)."


Para recursos sobre o tema é só ir por aqui.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Recursos para produzir Media na escola.


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Este sítio apresenta uma lista de recursos gratuitos para incentivar os seus alunos a criarem conteúdos em áudio, vídeo, foto e texto.
Para mais recursos, vá por aqui.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

quinta-feira, 25 de julho de 2019

1,2,3...15 Minutos de Leitura



Este ano letivo, as Bbliotecas do Agrupamento propuseram a atividade 1, 2, 3...15 Minutos de Leitura. Todas as turmas do Agrupamneto tiveram 15 minutos por dia de leitura.

As turmas de 7ºB  e 8ºC, com a professora Ana Paula Boldt produziram padlets com as suas leituras. Para os ver é só ir por aqui e aqui.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Histórias ao adormecer

"Contar histórias às crianças, antes de irem dormir, começa a tornar-se uma prática frequente. Até mesmo nas famílias com menos hábitos de leitura. Nos adultos cresce a certeza que as crianças devem ter livros. Mas ainda não somos um país de leitores.   


Quando a bebé nasceu coube ao pai assumir a tarefa de contar histórias à filha mais velha. Todas as noites, Ismael Coelho, 40 anos, lia para Beatriz. Não lia um livro, nem dois, nem três… Lia mais. Como era difícil chegar ao último livro antes de dormir, o pai encurtou as histórias. Para que o sono começasse, assim, a chegar mais cedo.

Contar histórias às crianças, no aconchego dos lençóis, começa a tornar-se hábito. Mesmo pais cujos progenitores nunca leram para eles, hoje, leem aos filhos. A leitura faz-se porque se entende que os miúdos devem ler. Disso depende o sucesso escolar. Coisa séria. Mas do saber ler ao gostar de livros; dos pais e mães que leem aos filhos até aos que são leitores assíduos, há muito para contar.

Por força da profissão, Ismael Coelho costuma ler livros e revistas sobre contabilidade e fiscalidade. Nada que interesse a Beatriz de seis anos, nem a Inês de três. “O Grande Livro das Fábulas para Adormecer” e outras aventuras, como as dos desenhos animados “Masha e o Urso”, são algumas das leituras que agradam às miúdas. Beatriz já sabe ler, mas continua a preferir que a mãe lhe leia. “É um bocado preguiçosa, diz que se estiver a ler não consegue perceber a história”, explica Ismael. Apesar de o pai ter assumido a “pasta” recentemente, a mãe continua a ser a contadora de histórias oficial. Também era ela quem, segundo o marido, “lia muito, antes das miúdas nascerem”. Agora, os tempos são outros.   

Se os pais têm o hábito de ler em casa, é possível que as crianças se sintam mais motivadas para a leitura. Mas para gostar de livros, o exemplo parental não basta. Clara Haddad, contadora de histórias profissional, acredita que para despertar o gosto da leitura, é preciso deixar a criança escolher os livros que quer ler. “A criança tem o seu próprio gosto. Mas, às vezes, os pais acham que esse gosto não é o ideal. Querem incutir outro gosto. E criam uma barreira muito grande à leitura.”

Escolher livros para ler às crianças atordoa muitos pais. Conhecendo bem esse drama, a contadora que recentemente se estreou como escritora infantil, criou um blogue onde dá sugestões semanais de leitura. “Mas nas primeiras leituras não adianta nada pensar em temas”, desdramatiza. “O adulto julga a partir do texto, mas a criança não. Ela quer ver a cor, ouvir o som e sentir o livro.”

terça-feira, 23 de julho de 2019

À volta dos livros


"À volta dos livros" é uma rubrica da Antena 1 com edição de Ana Daniela Soares. São conversas diárias com autores portugueses sobre as suas mais recentes obras. Para ouvir é só ir por aqui.
Boas leituras!

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A Casa do João nº8

(Clicar para aceder à revista)

Saiu o nº8 da revista de Literatura Infantil e Juvenil, "A Casa do João", dirigida a crianças, pais, educadores e professores, da responsabilidade do escritor João Manuel Ribeiro. 


Os temas deste trimestre são:

EDITORIAL 
Comprometidos com a Educação Literária e Ambiental 

UMA HISTÓRIA POR DIA DA SAÚDE E ALEGRIA! 

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sábado, 20 de julho de 2019

Literacia dos media


"Uma Viagem à Literacia dos Media" é um desenho animado de 7 minutos, concebido para explicar, de forma simples e divertida, o que Literacia dos Media é para todos, e que, por isso,  é essencial para viver livremente e participar plenamente na sociedade. 


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Sites portugueses de notícias falsas


"Sites portugueses de notícias falsas? Sim, muitos. Estão sediados no Canadá, mas nasceram em Santo Tirso

Criam notícias falsas sobre a política portuguesa, que vários grupos nas redes sociais, com milhares de membros, divulgam depois. Uma investigação do “Diário de Notícias” demonstra a existência em Portugal de uma realidade paralela, destinada a enganar a opinião pública.


Uma fotografia pode ser o início de toda uma cadeia de mentiras. Quem a coloca e como, a mando de quem e com que fins é o que uma investigação do “Diário de Notícias” vem este domingo desvendar. O artigo prova que existem sites de fake news portugueses, sediados no Canadá, que partilham o mesmo IP e se dedicam a criar e disseminar notícias e imagens que favorecem ou desacreditam pessoas ou grupos políticos nas redes sociais — onde 63% dos portugueses consomem informação.

Vários desses sites estão ligados a uma empresa do norte, a Forsaken, que se autodefine como especializada em “criação e manutenção de sites, reestruturação de sites existentes, desenvolvimento de páginas num ambiente profissional e atraente, otimização de motores de busca (...), criação de imagens e banners, criação e manutenção de páginas em redes sociais”. Esta foi a empresa responsável, por exemplo, pela divulgação de uma imagem da dirigente do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, supostamente com um relógio de luxo que valeria 20 milhões de euros, e que vinha acompanhada de uma frase lapidar: “A maior fraude da política portuguesa depois de António Costa.” A fotografia gerou mais de 800 partilhas.

Segundo o “DN”, o site que a divulgou chama-se Direita Política, que tem como visados mais recentes João Galamba, João Gomes Cravinho, Maria Flor Pedroso, António Costa, Azeredo Lopes ou Jerónimo de Sousa.

Esta página possui o mesmo IP — a "morada" na internet, neste caso a 198.50.102.106, registada em H3E Montreal, Quebec — de muitas outras, como A Voz da Razão, Não Queremos um Governo de Esquerda em Portugal, Video Divertido ou Aceleras. A Forsaken, empresa de Santo Tirso, é dona destes registos e pertence a João Pedro Rosas Fernandes, que se afirma “descontente com a falta de contraditório que existia na comunicação social” e diz ser apoiante “desde o primeiro momento” de Trump e Bolsonaro. Rosas Fernandes é também sócio de duas empresas têxteis."

(Retirado daqui)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Bravo!


O texto "Uma ideia" do 6º B foi selecionado para fazer parte do livro Ajudaris 2019. Estão de parabéns os alunos e a professora Floripes pelo bom trabalho.



"Uma ideia!!

Estava na Bélgica. Era outubro de 2016 e aproximava-se o outono; era hora de migrar para um novo continente, à procura de um país mais quente. Já perceberam quem eu sou, sou uma andorinha!!!
Decidi que o meu destino seria África. A caminho, passei por vários países da Europa. Vi lindas paisagens, países muito evoluídos, grandes arranha-céus… Ao sobrevoar a cidade de Paris, avistei uma linda escola, que despertou a minha atenção. Tinha um espaço enorme, um edifício magnífico, lindos jardins e imensos alunos.
Fiquei muito triste quando vi alunos a colocarem os seus lanches nos baldes do lixo, enquanto estavam concentrados nos seus aparelhos eletrónicos. Seria isto normal?!
Continuei a minha grande viagem para África. Cheguei a um país chamado Senegal e, no meio de uma savana, encontrei uma bela árvore onde construí o meu ninho. Tinha uma vista magnífica; era um sítio incrível. Conseguia ver todos os dias um lindo por do sol, respirava-se um ar muito puro, era um paraíso!
Depois de algum tempo, reparei que lá no fundo, mas mesmo lá no fundo, conseguia observar uma escola. Era um barraco feito com pedaços de metal e pedras, muito, mas muito velho, sem qualquer tipo de condições. Mas os alunos eram crianças, muito felizes, brincavam umas com as outras. Os seus brinquedos eram improvisados com o lixo que encontravam nas ruas e a pouca comida que havia era partilhada por todos.
Depois de ter viajado por todos estes países, de diferentes culturas, diferentes costumes, diferentes classes sociais e etnias, questiono-me hoje e questiono-vos:
Em que mundo vivemos? Porque é que não temos todas as mesmas oportunidades, os mesmos direitos? Como podemos reduzir estas desigualdades e erradicar a fome?
Se todos os nossos excessos alimentares, de todos os países civilizados, fossem levados por todas as andorinhas que migram, talvez conseguíssemos erradicar a fome de África…"