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quinta-feira, 4 de maio de 2023

Dia Mundial da Língua Portuguesa 2023

 




O Dia Mundial da Língua Portuguesa comemora-se a 5 de maio, tendo sido celebrado, pela primeira vez, em 2020, após consagração pela UNESCO em novembro de 2019.

A comemoração do Dia Mundial da Língua Portuguesa procura constituir um meio de celebração da Língua e da sua dimensão crescentemente global, refletindo e dando voz à multiplicidade de vozes que a compõe e que constitui um dos seus traços fundamentais.

A criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) resultou de um longo processo que culminou com a realização da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, a 17 de julho de 1996, em Lisboa. Nesta cimeira participaram os seguintes países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Seis anos mais tarde, em 20 de maio de 2002, com a conquista de sua independência, Timor-Leste tornou-se o oitavo país membro da Comunidade. Depois de um minucioso processo de adesão,  em 2014, a Guiné Equatorial tornou-se o nono membro de pleno direito.


O livro “Contos Tradicionais da CPLP” reúne contos oriundos dos nove Estados-membros da CPLP, acompanhados por ilustrações da autoria de grandes artistas plásticos dos países da CPLP.

Para aceder ao histórico do blogue, clica aqui.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Porque estamos sequiosos de liberdade! - História do dia

Flores e liberdade.

"A história que vou contar passou-se há muito e muito tempo, numa terra que muitos arados revolveram, muitos pés pisaram, muitos rios sulcaram, muitas árvores cobriram, muitas secas secaram." Assim inicia este conto o seu autor  António Torrado que o publicou pela primeira vez em 1972. 

É a história belíssima de um veado com hastes floridas que, quando se sentiu preso, perdeu as flores. 




Esta história também pode ser lida no ebook, em baixo.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Histórias ditas

"A necessidade de contar e ouvir histórias é um desejo humano básico, semelhante a necessidade de sonhar"

Ouvir histórias contadas por quem sabe ilumina a vida! Não acreditam? Comprovem abaixo!

1-




"Ser contador de histórias é ser um leitor do mundo, da vida, dos sons, dos silêncios das pessoas." diz Clara Haddad, uma contadora de mão cheia que nos encanta com a sua forma viva e alegre de narrar uma história.

Diz Clara que nasceu para contar histórias. Em criança, já gostava de “falar e fabular sobre tudo” – “também lia o que caía em minhas mãos”, recorda. Cresceu “contando para amigos, familiares e na escola”, sem “pretensão ou intenção” de tornar-se contadora de histórias profissional. “Era divertido. Sabia que amava esse momento e que era importante para mim, sobretudo pela afectividade que se estabelecia”, diz.

Para ouvir a Clara contar, é só clicar no vídeo em baixo ou ir por aqui, ou por aqui, por exemplo.


2-




O Contalá está cheio de livros e leitura para todos os apaixonados pelos livros e pela leitura em voz alta. Elsa Serra, contadora de histórias, quer incentivar a leitura, estimular o imaginário infantil e divulgar os livros ilustrados de que tanto gosta!

(Clicar sobre a imagem)

terça-feira, 24 de março de 2020

Histórias contra a pandemia

(Clicar sobre a imagem)
Uma pandemia traz, à partida, algo de mau, de ruim. No entanto, às vezes, e este é o caso, do caos, do medo surgem ideias maravilhosas, autênticos oasis de calma e paz. 
Curios(a)? É só clicar na imagem ou seguir por aqui para perceber do que falo.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Uma história por dia, não sabe o bem que lhe fazia




"Numa altura em que a reclusão é uma arma importante para o combate à pandemia do COVID-19, as Bibliotecas de Lisboa lançam na BLX Online "Uma história por dia, não sabe o bem que lhe fazia".

Nesta primeira série serão 40 histórias que vão ser contadas aos mais pequenos de 2ª a Sábado às 11h.

Nestas histórias podem encontrar a cura para a falta de mimos, défice de tempo para dar colo, consolo para não estar só ou suplementos de energia. As histórias contêm xarope de aventuras, pomada de animais, saqueta de ideias, colírio de gargalhadas, emplastros de ilustrações e comprimidos de bem estar. Acreditamos que com este serviço podem viajar para outros sítios e mergulhar no mundo da ficção sem sair de casa."

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A infinita fiandeira



"Se quiser falar ao coração dos homens, há que contar uma história. Dessas onde não faltem animais, ou deuses ou muita fantasia. Porque é assim, suave  e docemente que se despertam consciências"

La Fontaine





A infinita fiandeira

(A aranha ateia
diz ao aranho na teia:
o nosso amor
está por um fio!)

A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
- Não faço teias por instinto.
- Então, faz porquê?
- Faço por arte.
Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe:
- Minha filha, quando é que assentas as patas na parede?
E o pai:
- Já eu me vejo em palpos de mim...
Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
- Estamos recebendo queixas do aranhal.
- O que é que dizem, mãe?
- Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. A moça seria até virgem, não tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro.
- Vai ver que custa menos que engolir mosca - disse a mãe.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria prova de seu amor.
A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime.
Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
- Faço arte.
- Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos - chamados de obras de arte - tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem em que bichos. Aranhas, ao que parece.


Mia Couto, In O Fio das Missangas