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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Adelina Santos (Lininha) - Pétalas Róseas dee Poesia


É com agrado que divulgo que, este mês, a Adelina Santos (Lininha) publicou mais um livro sob o título Pétalas Róseas de Poesia. 
Os interessados em adquirir o livro, devem dirigir-se à biblioteca escolar da EBJFS. 

Para aceder aos registos do lançamento de livros anteriores da autora, clique aqui. 

sábado, 21 de março de 2020

Dia da Poesia


ÉS TU POESIA

És tu que crepitas fogaz nas minhas veias;
que ateias a chama que me arde tão calorosa no peito;
que me enxameias carinhosamente de afagos,
de palavras, de carícias, de silêncios e de bagos,
bagos de doçura, de chuva, laivos de ternura,
e de favos amargos espremidos por ti...

És tu que me lavas as velhas feridas;
limpas o sal das lágrimas que me escorrem pelo rosto;
perfumas-me de ervas e de flores,
de margaridas, de rosas, de alecrim, de nardos e de camélias,
cingindo-me assim suavemente de leveza, de asas e de manso vento;
enfunando-me as velas do pensamento,
impelindo-me para a viagem dos sentidos...

És tu a estrela que me guia e me dá alento;
o seio onde choro, rio e canto,
desfio a loucura e o desejo de te gostar tanto,
é em ti que deixo correr os rios do meu êxtase, da volúpia e do pranto...

És tu que fazes jorrar em meu ser rumorejares de fonte, ramagens frescas de arvoredos,
trinados que me fazem ave e voar sem medos...

És tu que desvendas todos os meus segredos;
me desnudas no espelhar das letras...
Enfeitas o meu cabelo com raminhos de murta e violetas,
me vestes de fantasia e verdade,
és tu que me abraças...
Poesia!

21 de Março de 2020.
Adelina Santos

domingo, 8 de março de 2020

Dia Internacional da Mulher


Porque hoje é o dia da mulher, aqui fica um poema de Adelina Santos, a nossa Lininha.   


SOU MULHER

Sou uma mulher madura, o riso e o pranto em mim se encena;
crestada de sol em pele morena,
onde o sonho e a fantasia perdura;
filha de Eva, Afrodite e Atena.
Sou feita de marés, talhada em rocha alva e nua como Helena,
oráculo de Cassandra, arpa e melodia,
onde a lua faz sua rota sedutora, e a cassiopeia é ainda luzidia...

Sou senhora das águas que redemoinham em meu ventre;
cântaro da semente onde germina a vida.
Sou assim enlaçada da verdura da hera toda florida...
Tenho asas resistentes de gaivota,
e danço solta nas ondas do meu mar,
quando o sopro morno do amor me visita,
e o desejo me suscita o fugaz deleite desse navegar...

Sou mulher e acolho o fruto que em mim fermenta,
a maturar a doçura em minhas entranhas;
sou como as árvores verdejando pelas montanhas;
estendendo as minhas fecundas raízes,
ansiando nascentes e fontes felizes;
riachos de prata e luar,
onde a essência do meu ser mais profundo, se deseja abeberar...

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Apresentação do livro "A Nudez das Palavras"

No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, aconteceu a apresentação do segundo livro de poemas de Adelina Santos, a nossa Lininha, "A nudez da palavra".
Na mesa, estiveram a Professora Dolores Garrido, representante do editor, a autora e a professora Glória Varão, professora bibliotecária.
Tiveram a palavra os Presidentes das Juntas de Freguesia de Baguim do Monte e da União de Freguesias de Gondomar,Valbom e Jovim que apoiaram a publicação deste livro e salientaram a consideração e amizade que a Lininha lhes merece.
Abrilhantou esta apresentação o jovem guitarrista e professor João Varão que deixou os presentes encantados com o seu virtuosismo.
"A nudez da palavra", o segundo livro de poesia de Adelina Santos, foi apresentado pela professora bibliotecária, Professora Glória Varão, apoiada na leitura de alguns dos poemas por colegas que alegremente se prontificaram a fazê-lo.
Estiveram presentes colegas que já não trabalham na nossa escola e que não quiseram deixar de marcar presença nesta noite especial para a nossa Lininha.
No final, Adelina Santos referiu  a alegria em apresentar este livro aqui, na escola, e a felicidade que sentia por estar entre amigos.
Foi uma noite de sentimentos! Foi, realmente, um prazer estar presente e viver estes momentos de poesia e música.
Parabéns, Lininha!











quarta-feira, 6 de março de 2019

"A Nudez das Palavras": lançamento do livro

No dia 8 de março, Dia da Mulher, terá lugar, na nossa escola, o lançamento do livro "A Nudez das Palavras" de Adelina Santos.


Mais uma vez, a Lininha nos dá a conhecer a sua poesia no seu segundo livro de poemas.
Estão, desde já, convidados para a sessão de apresentação, no auditório da nossa escola, pelas 21 horas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Eu sou um livro

Nesta semana da Feira do Livro, um poema escrito pela nossa Lininha.



Eu sou um livro 

Eu sou um livro 
cansado de tanto esperar 
esquecido na prateleira da vida 
sonhando ser escolhido, 
favorito de alguém, 
sentir o calor amoroso de umas mãos a me folhear, 
descobrindo quem sou... 

Já tenho folhas amarelecidas, de tanto ser esquecidas, 
de não serem lidas, nem escritas por ninguém. 

as estações do tempo foram passando carregadas de dor, solidão, 
emprestando-me os seus lenços de assoar, 
secando as lágrimas de cada adeus 
no relógio apreçado da despedida ao seu passar. 

Minhas páginas já um pouco amarrotadas, 
escritas com a pena dos meus nadas, 
falam de desamores, desprezo e desdita 
desta minha existência lavrada de medo, solidão, 
as linhas da minha mão se riscam de desilusão, 
em linhas cruzadas do meu destino, 
sem rumo neste meu caminho, 
estrofes desbotadas, notas desafinadas sem melodia, sem canção 

Murcham minhas flores, rosas, tulipas, orquídeas jasmim, 
desfolham suas pétalas sequiosas, famintas no meu jardim, 
neste livro onde me escrevo, 
Me perco e elevo, 
nas metáforas dos meus dias, 
nas elipses, nas anáforas, acesas cenestesias, 
onde me venho falar, 
povoando de mim os meus dias. 

Sou um livro cheio de nadas, 
encadernado com as noites vazias, 
gélidas madrugadas, 
capas cozidas com trémulos dedos, 
pintadas de saudade, onde guardo os meus segredos. 

Sim, sou um livro, 
com muito para contar, 
histórias tão tristes, que fazem chorar, 
mas também poemas de amor, 
paixões em flor, 
esmagadas pelos vendavais do meu terror. 

Aqui me desnudo das penas e das máscaras, 
dos sorrisos forçados, dos lamentos guardados, 
estiletes afiados que me rasgam por dentro, 
os sentidos escorrem sangrando num corte cruel, 
cinzelando o meu ser, 
esse grito aprisionado em mim, 
que jorra como lava ardente para o papel. 

Sim, eu sou um livro, 
maldito, proibido, cheio de defeito, 
marcado de marginalização, tão sem graça e arrepiante, 
para quem olha, desdém e passa, 
mas onde se iluminam pensamentos, se descartam os amantes, 

se traçam sonhos, esperanças, 
onde ainda bate humanamente um coração. 

Adelina Santos

terça-feira, 25 de julho de 2017

Despedidas



As despedidas são sempre tristes, mas, este ano, a tristeza vem acompanhada de alguma angústia. 
A nossa árvore vai perdendo folhas, vai perdendo vida, vai ficando descaracterizada.
As palavras da nossa Lininha refletem o sentir de muito(a)s de nós!



DESPEDIDAS 

Quando os abraços se enchem de silêncios 
e as lágrimas preenchem o vazio das palavras 
no cais das despedidas vão ficando humedecidas 
as bagagens de tantos anos de amizade 
de convívio, partilha, solidariedade 
e os silêncios pesam mais que a própria dor da saudade... 

Porque o que antes era lar de conforto e amor 
passa a ser barca de partida 
navegando sem leme à deriva 
deixando para trás tanta vida 
o porto de tanta gente... 

Sepulta-se assim desta forma cruelmente 
um berço de ensino, de família e bem estar 
em troco não percebo de quê 
nem do que daí possam ganhar, 
será apenas pelo prazer do poder? 
Mas isto sou eu a pensar... 


Adelina Santos

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A chuva

Neste dia tão tristonho e chuvoso, um poema da nossa Adelina Santos.

 CHUVA

A chuva cai pasmada;
sobe a batuta do vento;
que a deixa desgrenhada.
E cai assim a triste chuva de cara zangada;
tenta esboçar um sorriso na tarde acinzentada;
e vai moendo o lamento na sua toada arrastada.
Que anda viúvo o tempo,
chorando pela sua amada.

Cai a chuva turva e louca;
escorrendo o farto nevoeiro;
na boca escarpada do ribeiro;
que o deixa deleitado...
A chuva vai caindo na calçada;
num compasso continuo, ritmada;
com olhos de espanto na triste missão de gota molhada.
Borrifa quem passa correndo apressada;
cansada da chuva que cai na vidraça.
Já farta de molha tão aborrecida;
que a chuva deixou-se ficar por cá, velha e esquecida!


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Uma noite de sentimentos!









Perante um auditório repleto de amigos, deu-se início à cerimónia de apresentação do livro de Adelina Santos, "Bocados de mim".
O professor Emanuel Mesquita deu as boas vindas a todos os presentes, congratulando-se e manifestando o prazer e a honra em acolher na nossa escola este acontecimento. Adelina Santos, a Lininha, funcionária da escola desde 1997, foi considerada pelo professor "a voz da escola". 




Falou, seguidamente, o professor João Carlos Brito, editor da obra, que referiu o prazer que sentiu em publicar o livro "Bocados de mim".




Foi a vez do Presidente da União das Freguesias de Foz do Sousa e de Covelo que manifestou a sua alegria em estar presente neste evento pela consideração que a Lininha lhe merece.




Também a Presidente da Direção do Agrupamento interveio, salientando o seu regozijo por poder estar presente neste evento e reforçando a disponibilidade de o Agrupamento acolher outras iniciativas deste tipo.




Finalmente, o poeta Carlos Lacerda, amigo da Lininha, fez a apresentação do livro "Bocados de mim". Lendo, ou dando a ler os poemas da poetisa, Carlos Lacerda delineou o retrato de Adelina Santos. "Silêncio", "Eu sou um livro", Sinto-me", "Rasgo as palavras", "Quem me dera", "Escrevo-me" foram os poemas selecionados que revelaram uma  pessoa que transmite, através da sua escrita, uma mensagem de quem está na vida com "dignidade, simplicidade e verdade".
Carlos Lacerda, poeta e "diseur" de poesia, arrebatou os presentes com a forma vibrante e sentida como leu/recitou as palavras da nossa poetisa.
Foi uma sessão cheia de emoção e sentimento que encheu de alegria todos os presentes.






A noite terminou com um Porto de Honra.











RASGO AS PALAVRAS

Rasgo as palavras num grito mudo,
com o gume diamantino do silêncio,
estilete cristalino de névoa e lume,
que as corta, separa e une.


Esventrando-as da semente rara e do conteúdo,
num entorno cálido de seda e veludo.

Desfaço-as em gomos de sílabas vãs,
os limbos e os caules,
a polpa das frases, como fossem maçãs.

Entre os dedos, aperto-as, sinto-as a sangrar,
veias jorrando a dor,
sem as puder estancar...
bagos maduros de romãs,
que fervem dentro da pele
nos traços das linhas, nos contornos das letras,
rasgo os sentidos, com o raio furtivo dos cometas...
Nas alamedas das grandes delongas,
onde os corações se perdem no excesso das coisas,
descoso a fímbria da escrita,
o tecido amorfo onde me deito,
com a saudade a ferir o peito...
Rasgo as palavras,
sumo espesso a escorrer amargo doutras bocas,
desfaço-as do invólucro, pedaços de rochas duras,
que parto em bocados, em excessos fervilhando num mosto de loucuras.
Adelina Santos



Eu sou um livro

Eu sou um livro
cansada de tanto esperar
esquecida na prateleira da vida
sonhando ser escolhida,
favorita de alguém,
sentir o calor amoroso de umas mãos a me foliar,
descobrindo quem sou...


Já tenho folhas amarelecidas, de tanto ser esquecidas,
de não serem lidas, nem escritas por ninguém.

as estações do tempo foram passando carregadas de dor, solidão,
emprestando-me os seus lenços de assoar,
secando as lágrimas de cada adeus
no relógio apreçado da despedida ao seu passar.

Minhas páginas já um pouco amarrotadas,
escritas com a pena dos meus nadas,
falam de desamores, desprezo e desdita
desta minha existência lavrada de medo, solidão,
as linhas da minha mão se riscam de desilusão,
em linhas cruzadas do meu destino,
sem rumo neste meu caminho,
estrofes desbotadas, notas desafinadas sem melodia, sem canção

Murcham minhas flores, rosas, tulipas, orquídeas jasmim,
desfolham suas pétalas sequiosas, famintas no meu jardim,
neste livro onde me escrevo,
Me perco e elevo,
nas metáforas dos meus dias,
nas elipses, nas anáforas, acesas sinestesias,
onde me venho falar,
povoando de mim os meus dias.
Sou um livro cheio de nadas,
encadernado com as noites vazias,
gélidas madrugadas,
capas cozidas com trémulos dedos,
pintadas de saudade, onde guardo os meus segredos.
Sim, sou um livro,
com muito para contar,
histórias tão tristes, que fazem chorar,
mas também poemas de amor,
paixões em flor,
esmagadas pelos vendavais do meu terror.
Aqui me desnudo das penas e das máscaras,
dos sorrisos forçados, dos lamentos guardados,
estiletes afiados que me rasgam por dentro,
os sentidos escorrem sangrando num corte cruel,
cinzelando o meu ser,
esse grito aprisionado em mim,
que jorra como lava ardente para o papel.
Sim, eu sou um livro,
maldito, proibido, cheio de defeito,
marcado de marginalização, tão sem graça e arrepiante,
para quem olha, desdém e passa,
mas onde se iluminam pensamentos, se descartam os amantes,
se traçam sonhos, esperanças,
onde ainda bate humanamente um coração.
Adelina Santos

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015