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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Livros e histórias com Bru Junça 4

Margarida Junça, mais conhecida como Bru Junça é uma contadora de histórias que já esteve no nosso agrupamento e que orientou a "Hora da Leitura" do projeto #ESTUDOEMCASA. 
Nestas sessões, apresentou-nos livros fantásticos!

Clicando nas imagens, acede-se ao vídeo.

Tesouros
"Histórias com Juízo" de Mário Castrim 
"9 meses"de Jean-Marc Fiess
"ABC dos cãezinhos" de M. Graciete Teixeira 
"Robertices de Luísa Dacosta
"O bebé" de Miguel Costa Dias
"Avó de coração" de Cristina Taquelim
"A cavalo no tempo" de Luísa Ducla Soares
"Histórias da Minha Rua" de Maria Cecília Correia


Quem semeia, colhe
"Histórias com Juízo" de Mário Castrim
"Um Ano Inteiro, Almanaque da Natureza" de Isabel Minhós Martins
"Cem sementes que voaram" de Isabel Minhós Martins
"O verão é o tempo grande", de Maria Isabel César Anjo
"De Umas Coisas Nascem Outras" de de Rachel Caiano e João Pedro Mésseder 
"Maria Trigueira" de Ivone Gonçalves
"Rimas salgadas" de Miguel Horta
"Poucas letras, tanto mar" de João Pedro Mésseder e Ana Biscaia
"O meu coração" de Corinna Luyken


BRINCAR a DIREITO pelas CURVILÍNEAS do PENSAMENTO
"Os direitos do leitor" de Daniel Pennac
"Estava a pensar…" de Sandol Stoddard
"Da rua da contador para a rua do ouvidor" de António Torrado
"O Pássaro da Cabeça" de Manuel António Pina
"Horizonte" de Carolina Celas
"Obrigado a Todos!" de Isabel Minhós Martins
"Re-Zoom" de Istvan Banyai
"O poeta faz-se aos 10 anos" de Maria Alberta Menéres


Diz a Bru:

"Adoro Açorda de Alho. Coleciono relógios, fotografias e porta-chaves.
Acareio tudo quanto é memória. Ganhei uma medalha num campeonato de xadrez.
Não vivo sem livros. Sou mediadora de leitura. Conto histórias.
Viajo muito ao redor de mim. Tenho mãos inquietas.
Faço livros de pano e pastéis de nata. Tenho o vício dos livros antigos.
Conservo ainda um sonho de menina. O lume de chão é-me companhia.
Agora estou a aprender a fazer malha e assim (me) sigo…"
(Retirado daqui)



terça-feira, 14 de julho de 2020

Livros e histórias com Bru Junça 3

Margarida Junça, mais conhecida como Bru Junça é uma contadora de histórias que já esteve no nosso agrupamento e que orientou a "Hora da Leitura" do projeto #ESTUDOEMCASA. 
Nestas sessões, apresentou-nos livros fantásticos!

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É ou Não É?
"Histórias com Juízo" de Mário Castrim 
"Eu acredito" de David Machado
"Ou isto ou aquilo" de Cecília Meireles
"Assim ou assado"  de Ana Pessoa
"Real...mente" de Teresa Guedes
"Pato Coelho" de Amy Krouse Rosenthal
"Antes depois" de Anne-Margot Ramstein
"Não Fiz os Trabalhos de Casa Porque..." de Davide Cali
"Não é uma caixa" de Antoinette Portis



Há contar e contar

"Histórias com Juízo" de Mário Castrim 
"Versos diversos para meninos travessos"", de Maria Rosa Colaço
"Poema Pial" de Fernando Pessoa 
"Pequeno livro de desmatemática" de Manuel António Pina
"E para o Poeta outro modo de Olha" de João Manuel Ribeiro
"Conto contigo" de António Torrado
"Tantos Animais e Outras Lengalengas de Contar" de Manuela Castro Neves
"Metade, Metade" de de Isabel Minhós Martins
"Os Presentes, Histórias de “Amor de Mais” de Maria Keil


Diz a Bru:

"Tive um grilo e dois canários. Aprendi o cuidar e o dizer adeus.
O cheiro a café devolve-me a casa. Não gosto do frio nem da chuva.
São os pássaros que acordam a manhã à minha janela.
O meu primeiro brinquedo foi uma máquina registadora mas troquei as contas à vida por notas de contos.
Não resisto a figos. Quis ser professora. Aos 18 anos Lisboa foi-me demasiado barulhenta. Faltavam-me os “Serões da Província”.
Formei-me na Universidade de Évora. Continuo a enviar postais, escritos à mão.
As manhãs deviam ser longas em conversas e as noites entrarem pelas madrugadas adentro.
Numa cozinha aprendi a contar grãos. Contar o tempo. Contar a vida."
(Retirado daqui)




sexta-feira, 10 de julho de 2020

Livros e histórias com Bru Junça 2

Margarida Junça, mais conhecida como Bru Junça é uma contadora de histórias que já esteve no nosso agrupamento e que orientou a "Hora da Leitura" do projeto #ESTUDOEMCASA. 
Nestas sessões, apresentou-nos livros fantásticos!

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Pôr o Medo a Mexer

"Histórias com Juízo" de Mário Castrim 
"Little box of horrors"
"O João e os monstros" de António Gouveia
"diário inventado de um menino já crescido" de José Fanha
"Sombras" de Suzy Lee
"Uma noite caiu uma estrela" de David Machado
"El libro del miedo" de Raquel Cane


Gente Maior

"Histórias com Juízo" de Mário Castrim 
"O sol e o menino dos pés frios" de Matilde Rosa Araújo
"Cancioneiro Infanto-Juvenil para a língua Portuguesa" (Vol. 30)
"O Quê Que Quem" de Gémeo Luís e Eugénio Roda
"A cavalo no tempo" de Luísa Ducla Soares
"A manta do José" de Miguel Gouveia
"O rosto da avó" de Simona Ciraolo
"Segredos" de António Mota 
"Onde tudo aconteceu" de António Mota 
"O primeiro dia de escola" de António Mota 
"Avó de coração" de Cristina Taquelim


"Nasci em Évora num domingo e talvez, por isso, seja dada ao vagar.
Vivi na rua onde morou Florbela Espanca. Gosto da côdea do pão acabado de cozer.
A minha casa ficava por cima da minha primeira escola. Rua abaixo, rua acima fui apre(e)ndendo o mundo.
Aprendi matemática com a maquia gasta, todos os dias, na mercearia do Sr. Ângelo.
Percebi que o caminho dói quando o Sr. Moreira me punha meias solas nos sapatos, gastos pela brincadeira.
Aprendi a escutar, ouvindo as estórias da vizinhança contadas pela D. Vicencia e pela D. Victória."
(Retirado daqui)




quarta-feira, 8 de julho de 2020

Livros e histórias com Bru Junça 1


Margarida Junça, mais conhecida como Bru Junça é uma contadora de histórias que já esteve no nosso agrupamento e que orientou a "Hora da Leitura" do projeto #ESTUDOEMCASA. 
Nestas sessões, apresentou-nos livros fantásticos!
Clicando nas imagens, acede-se ao vídeo.

Atrás da Porta (27 Abr. 2020)

"Histórias com Juízo" de Mário Castrim 
"Popville" de Joy Sorman, Anouck Boisrobert e Louis Rigaud
"Conto Estrelas em Ti, 17 Poetas escrevem para a infância" de José António Gomes
"Trinta por uma linha" de António Torrado
"Quando vou dormir o mundo para" de Leonor Tenreiro
"Cá dentro, Guia para descobrir o cérebro" de Isabel Minhós Martins, Maria Manuel Pedrosa e Madalena Matoso
"Onde moram as casas" de Carla Maia de Almeida. 
"Nic e Inês em casa" 


À roda da língua (4 Mai. 2020)

"As Mãos e os Livros" de Isabel Minhós Martins
"Poemas da mentira e da verdade" de Luísa Ducla Soares
"O tigre na rua e outros poemas" de vários autores
"O dicionário do menino Andersen" de Gonçalo M. Tavares e Madalena Matoso
"Chamem-lhes nomes" de Margarida Fonseca Santos
"Da rua do contador para a rua do ouvidor" de António Torrado
"Greve" de Catarina Sobral


Diz a Bru:

"As mãos abrem as palavras que a boca silencia. Procuro fios que conduzam página a página, entre capas e contra-capas. Conto e canto as histórias que me escrevem. Gosto de dobar palavras, ilustrações, autores, poesia e cantos como um novelo que cresce e vai ganhando forma, entre as mãos, com o tempo. No final, rematar com nó(s). Guardar o novelo, no bolso, como quem guarda um pequeno mundo para brincar."
(Retirado daqui)

sábado, 6 de junho de 2020

Histórias simples para crianças que estão a aprender a ler.


(Clicar na imagem para saber mais)

"Ler não é um ato natural, mas sim social. É uma competência complexa, que resulta da integração de diversas outras habilidades. Este importantíssimo ato social depende, para a esmagadora maioria das pessoas, de outro ato social igualmente importante e significativo: o ensino.

É comum que, numa sala de aula, alguns alunos aprendam a ler com facilidade, e outros com dificuldade. Estes problemas de leitura devem, por isso, ser encarados como habituais e esperados, ainda que indesejados, e a sua abordagem deve constituir uma parte rotineira de um programa normal de instrução, e não de um programa de educação especial. Trata-se, sem dúvida, da componente mais exigente da instrução, já que é necessário intervir de forma tendencialmente individual, intensiva e, em alguns casos, durante anos. Este tipo de intervenção necessita frequentemente, por isso, de ser realizado adicionalmente ao contexto de sala de aula, exigindo uma resposta diferenciada.

Determinados aprendizados escolares constituem condição necessária (ainda que não suficiente) de aprendizagem de quase todas as outras. É este, inequivocamente, o caso da leitura e da escrita. 


O desfasamento dos alunos com dificuldades relativamente aos restantes, tende a aumentar, e não a diminuir. Consequentemente, quanto mais cedo forem detetadas as dificuldades maior é a probabilidade de sucesso da intervenção.

As dificuldades de aprendizagem no início da escolaridade abalam fortemente a predisposição dos alunos para as tarefas académicas, e fazem diminuir, de forma muito significativa, a motivação com que os alunos entraram para a escola. A confiança e entusiasmo iniciais tendem a diluir-se e a dar lugar a uma perceção de incompetência e a sentimentos negativos face à aprendizagem e à escola.

"O programa AaZ - Ler Melhor, Saber Mais lança um conjunto de vídeos de leitura acompanhada para todas as crianças que estão a iniciar-se na leitura. É uma atividade particularmente apropriada para as crianças do 1.º e 2.º anos de escolaridade. Incluem-se histórias lidas por autores como Luísa Ducla Soares, Alice Vieira ou José Fanha. As crianças podem também optar por ler sozinhas."

"Enquanto os escritores lêem, as crianças podem acompanhar no ecrã a leitura, pois as palavras são destacadas à medida que são lidas. Depois, caberá ao leitor fazer a leitura, já que a história repete mas sem a voz do autor"

(Retirado daqui)

Para saber mais é só ir por aqui.





quarta-feira, 24 de julho de 2019

Histórias ao adormecer

"Contar histórias às crianças, antes de irem dormir, começa a tornar-se uma prática frequente. Até mesmo nas famílias com menos hábitos de leitura. Nos adultos cresce a certeza que as crianças devem ter livros. Mas ainda não somos um país de leitores.   


Quando a bebé nasceu coube ao pai assumir a tarefa de contar histórias à filha mais velha. Todas as noites, Ismael Coelho, 40 anos, lia para Beatriz. Não lia um livro, nem dois, nem três… Lia mais. Como era difícil chegar ao último livro antes de dormir, o pai encurtou as histórias. Para que o sono começasse, assim, a chegar mais cedo.

Contar histórias às crianças, no aconchego dos lençóis, começa a tornar-se hábito. Mesmo pais cujos progenitores nunca leram para eles, hoje, leem aos filhos. A leitura faz-se porque se entende que os miúdos devem ler. Disso depende o sucesso escolar. Coisa séria. Mas do saber ler ao gostar de livros; dos pais e mães que leem aos filhos até aos que são leitores assíduos, há muito para contar.

Por força da profissão, Ismael Coelho costuma ler livros e revistas sobre contabilidade e fiscalidade. Nada que interesse a Beatriz de seis anos, nem a Inês de três. “O Grande Livro das Fábulas para Adormecer” e outras aventuras, como as dos desenhos animados “Masha e o Urso”, são algumas das leituras que agradam às miúdas. Beatriz já sabe ler, mas continua a preferir que a mãe lhe leia. “É um bocado preguiçosa, diz que se estiver a ler não consegue perceber a história”, explica Ismael. Apesar de o pai ter assumido a “pasta” recentemente, a mãe continua a ser a contadora de histórias oficial. Também era ela quem, segundo o marido, “lia muito, antes das miúdas nascerem”. Agora, os tempos são outros.   

Se os pais têm o hábito de ler em casa, é possível que as crianças se sintam mais motivadas para a leitura. Mas para gostar de livros, o exemplo parental não basta. Clara Haddad, contadora de histórias profissional, acredita que para despertar o gosto da leitura, é preciso deixar a criança escolher os livros que quer ler. “A criança tem o seu próprio gosto. Mas, às vezes, os pais acham que esse gosto não é o ideal. Querem incutir outro gosto. E criam uma barreira muito grande à leitura.”

Escolher livros para ler às crianças atordoa muitos pais. Conhecendo bem esse drama, a contadora que recentemente se estreou como escritora infantil, criou um blogue onde dá sugestões semanais de leitura. “Mas nas primeiras leituras não adianta nada pensar em temas”, desdramatiza. “O adulto julga a partir do texto, mas a criança não. Ela quer ver a cor, ouvir o som e sentir o livro.”

quinta-feira, 13 de junho de 2019

LER OU CONTAR?


Muitas vezes, ou quase sempre, toma-se ler por contar e contar por ler, como sendo sinónimos. Não é assim.  Há algumas diferenças entre ler e contar. Quem no-lo lembra é Aidan Chambers, escritor e pedagogo norte-americano, no livro Queres que te conte um conto? Um guia para narradores e contadores (edição em castelhano, de Banco del Libro, Venezuela).
Vejamos então algumas das diferenças entre a narração de contos e a leitura em voz alta:
Na narração de contos, prevalece a relação entre o narrador e o ouvinte, como se fosse uma conversa, com um sentido e destinatário pessoal, na medida em que quem conta dá algo de si àquele que escuta. Na leitura em voz alta, ao invés, é o livro quem centra e objetiva a experiência. Neste caso, a relação é a de duas pessoas que partilham algo que lhe é externo, o livro. Não se trata de um contador e de um ouvinte olhando-se, mas de um leitor e de um ouvinte, um ao lado do outro, olhando juntos para o livro. Na leitura em voz alta, a comunicação estabelece-se por meio de palavras e de imagens que provêm de alguém que não está presente, o autor, mas que tem algo a dar-nos.
A narração de contos orienta-se para o emocionalmente dramático; a leitura em voz alta para a contemplação reflexiva. A narração inclina-se para o prazer duma diversão; a leitura em voz alta, para o gozo do autorreconhecimento. A narração tende para o cabal, para o grupo exclusivo, limita-se aos que escutam o contador. A leitura em voz alta tende para o mais além, para o grupo inclusivo, cujos poderes se veem ampliados pelo texto e pela linguagem, pelo pensamento de alguém que não está presente. A narração serve para confirmar a cultura; a leitura em voz alta é geradora de cultura.
A narração de contos exige mais do contador, a leitura em voz alta exige mais do ouvinte. A leitura em voz alta é uma comunicação menos direta entre o leitor e o ouvinte, porque, na escrita, o significado é, habitualmente, mais compacto, as frases estão construídas de uma forma mais densa do que na língua falada. Acresce que, na leitura em voz alta, o leitor e o ouvinte devem ver as palavras impressas para que possam captar os múltiplos sentidos. A forma como as palavras se dispõem na página é, não raras vezes, importante para a sua compreensão. Na narração de contos, o contador pode explicar e repetir, abreviar ou ampliar, enfatizar esta ou aquela parte.
Quem lê em voz alta não pode adaptar-se ao ouvinte com tanta liberdade, porque segue um texto autorizado, pelo que explicar ou mudar o texto pode arruinar a experiência de leitura e desqualificar o texto. O ouvinte da leitura em voz alta precisa de mais tempo para assimilar a a mensagem e compreender o que está a ler-se, pelo que a leitura em voz alta deve ser mais lenta e menos teatral. Por outro lado, uma vez que a fonte da leitura em voz alta é um texto visível, aos leitores iniciais pode mostrar-se o livro enquanto escutam.
Posto isto, importa realçar que ler e contar, apesar de não serem sinónimos nem  equivalentes, podem coexistir, em momentos distintos, no trabalho de educação literária e de fruição da literatura. Ambos os modos reclamam um tempo exigente de preparação, uma cuidada e adequada seleção de textos / contos e uma grande entrega pessoal para que a audição de textos (contada ou lida) seja uma mais valia para a vida dos pequenos leitores. (JMR)

Texto retirado daqui.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

APRENDEMOS A LER QUANDO OUVIMOS OUTROS A LER!

APRENDEMOS A LER QUANDO OUVIMOS OUTROS A LER!

Quem o afirma é Aidan Chambers, escritor e pedagogo norte-americano, num livrinho intitulado Queres que te conte um conto? Um guia para narradores e contadores (edição em castelhano, de Banco del Libro, Venezuela). Aprendemos a ler, normalmente, do seguinte modo: primeiro, acompanhados por quem sabe ler e, depois, começamos gradualmente a ler autonomamente. O leitor é, por isso, um aprendiz e é-o efetivamente se estiver na «zona de desenvolvimento proximal», isto é, se estiver em contacto com a leitura. Assim, ler em voz alta para as crianças é essencial para ajudá-las a converter-se em leitores. E, segundo Aidan Chambers, «é um erro pensar que a leitura em voz alta é necessária apenas nas etapas iniciais». A leitura em voz alta é tão valiosa e aprender a ler é um processo tão demorado (e nunca acabado) que a leitura em voz alta é necessária durante toda a escolarização e, ousamos dizer, durante toda a vida. O ideal seria que cada pessoa escutasse um fragmento de literatura
todos os dias.

Este especialista apresenta mais cinco razões fundamentais (algumas coincidentes com as já apontadas) para ler em voz alta:

1 – A leitura em voz alta mostra-nos como o texto funciona. Cada vez que escutamos um conto, ou poema ou qualquer outro tipo de texto, adquirimos um exemplo mais de como a escrita funciona, isto é, como se estrutura e se organiza, e o que (ou como) temos de fazer «dominar» o texto. Descobrimos, ao ouvir, que tipo de texto está guardado na linguagem do texto.

2 – A leitura em voz alta faz com que o texto impresso ganhe vida por meio da interpretação. A escrita é, em certo sentido, um guião: com palavras que nos dizem como são as pessoas, o que sentem e como agem. A leitura em voz alta desperta a magia do texto e das personagens. A leitura em voz alta mostra como quem lê «convive» com as palavras e as personagens. Ou seja, a leitura em voz alta possibilita a aprendizagem de que o texto tem um «corpo» e uma «voz» que o leitor tem de «interpretar».

3 – A leitura em voz alta transforma o «difícil» em algo acessível. Quando as crianças são expostas a algo que não são ainda capazes de ler por si mesmas, estamos a ajudá-las a descobrir que vale a pena esforçar-se por ler autonomamente.

4 – A leitura em voz alta estimula a escolha, mostrando que se pode ler vários tipos de textos, de vários modos e com «estratégias» distintas. Pode ler-se uma história completa, seguida de discussão; pode fazer-se um programa de leitura de contos, poemas, inclusive para e em ocasiões especiais; pode ler-se um texto mais extenso ao longo de vários dias; pode ler-se a despropósito, sempre que seja adequado e/ou surja uma oportunidade; pode dramatizar-se
um texto, etc., etc.
5 – A leitura em voz alta oferece uma maneira de estar juntos. Além da dimensão social e afetiva, este tipo de leitura é importante para o processo de construção da identidade cultural, ainda que cada pessoa a assuma de modo distinto.
Neste início de ano letivo, pais e professores, não tenham dúvidas: leiam em voz alta, para si, para os seus filhos, para os seus familiares, para os seus alunos, para quem quer que seja, mas leiam…

Boas leituras! (JMR)

Texto retirado daqui.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Deite os seus filhos lendo um livro, não vendo televisão




Não há nada tão terapêutico e reconfortante quanto conseguir que uma criança adormeça enquanto lemos um livro para ela. A experiência da escuta é fundamental também para o seu domínio de leitura. Além disso, através da nossa voz levamos nossos filhos a um universo fantasia e aventuras onde o seu cérebro encontra calma e o convite para continuar sonhando feliz enquanto dorme.

Francesco Tonucci é um notável pedagogo italiano que baseou todos os seus trabalhos no estudo do desenvolvimento cognitivo das crianças pequenas. Para ele, algo tão simples quanto desligar a televisão e ler um livro para os nossos filhos é criar os grandes leitores do dia de amanhã. Além disso implica em aproximá-los a um valor que os tornará livres, mais curiosos e certamente, dignos herdeiros do legado que os bons livros nos deixam.


As crianças se transformam em grandes leitores no colo dos seus pais, por isso, não duvide em ser o melhor exemplo, deixe que vejam você se mergulhar em um mar de letras para que elas nadem em um mar de sonhos…


Embora seja verdade que às vezes estamos cansados e que é mais fácil se reunir na frente da televisão nas últimas horas do dia, pense que a infância dos seus filhos é muito breve, e o melhor momento “sempre é agora”. Aproveite cada segundo e cada instante, faça deles os seus cúmplices frente a um livro, deixe que o sono os vença no seu colo enquanto você chega ao fim dessa história. No dia de amanhã eles agradecerão…




Um livro aberto é um cérebro que fala e uma mente que ouve

Um dos problemas que costumamos ter com as crianças no que se refere a leitura é que muitos se aproximam dos livros por obrigação escolar e não por prazer. Isto não deveria ser assim. O bom leitor se aproxima pela primeira vez a esses oceanos de letras na sua infância por pura curiosidade e sutil desafio.

A leitura, como o amor, é a pedra ideal para afinar a alma.


Algo tão simples como dar à criança a liberdade na hora de escolher a sua leitura é uma coisa que sempre traz bons resultados, mas é ainda melhor quando nós agimos como modelo. De fato, para Tonucci, não há melhor brinquedo que um livro e não existe maior acerto do que favorecer a capacidade de escuta das crianças ouvindo-nos ler.

Para compreender isto melhor, convidamos você a considerar estes aspectos sobre os quais refletir.




Os benefícios da leitura relaxada

Graças a um trabalho conduzido pela “American Academy of Pediatrics” foi feita uma descoberta importante: as crianças entre 2 e 6 anos não deveriam estar expostos à televisão ou a dispositivos electrónicos durante mais de uma hora por dia. Dos 7 aos 12 anos de idade, deveríamos controlar que não excedam as 2 horas.

Segundo este estudo, a visão prolongada da televisão ou do computador pode desenvolver um déficit de atenção nos pequeninos. Isto se deve ao fato do córtex frontal, ainda imaturo nas crianças, ficar super ativado com as ondas eletromagnéticas.

Deixar que os nossos filhos durmam assistindo televisão não é precisamente a coisa mais terapêutica, apesar de nós mesmos fazermos isto com freqüência. Falamos de educação, pedagogia e antes de mais nada de saúde infantil, por isso, antes de deixar que o sono os leve diante da TV ou do tablet, é preciso colocar em prática a boa arte da leitura relaxada.




  • Não importa que os seus filhos ainda não tenham adquirido a competência da leitura e da escrita ou que já estejam conseguindo as suas primeiras conquistas. Sentar-se com eles na cama e começar a ler para eles irá trazer um benefício enorme para o seu desenvolvimento neuronal e emocional.
  • A leitura relaxada aumenta o fluxo de sangue para o cérebro, traz bem-     -estar à criança além de uma calma muito gratificante apropriada para este último instante do dia.
  • A área do cérebro que mais é estimulada no processo de “escuta” é a área pré-frontal, indispensável para desenvolver e potencializar muitos processos cognitivos nas crianças: a atenção, a imaginação e os raciocínios mais complexos.
  • Ler para os seus filhos uma história ou livro com uma mensagem exemplar ou um bom raciocínio moral pode potencializar a sua empatia e o respeito por seus semelhantes. Vale a pena.


A leitura relaxada, um vínculo de carinho entre pais, mães e filhos

Leia para os seus filhos sem pensar que você está perdendo tempo ou que você tem muitas coisas para fazer além disso. Permita que o tempo se detenha e agarre-os, deixe que a emoção desse livro os envolva e que a sua voz cative o coração do seu filho.

Nenhum presente poderá superar esses momentos de leitura compartilhada, nesses lugares inventados onde os sonhos, as aventuras e os mistérios aceleram a sua imaginação enquanto a sua respiração ganha compasso pouco a pouco e lentamente, a medida que chega o sono e, simplesmente, se rende.

A leitura relaxada na última hora do dia é um modo maravilhoso de educar as suas mentes e de permitir que o seu cérebro amadureça em equilíbrio. Os livros são um legado que se compartilha entre pais e filhos, e nada deveria substituí-los, menos ainda a televisão ou as novas tecnologias.

Texto retirado daqui.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Como ler em voz alta para os seus filhos





Começo lembrando que o exemplo é fundamental. Pais, vocês precisam ler em casa, não só para as crianças, como também fazer leituras de livros do interesse de vocês. A criança só tomará gosto pela leitura por meio de um exemplo, ou seja, ela precisa ver um leitor, alguém que pratica o hábito da leitura. Hoje os pais parecem estar delegando tal função para os professores nas escolas. E sabemos que infelizmente muitos professores não gostam de ler. Portanto, é fundamental que a criança tenha um exemplo em casa. Ora, um garoto que sonha em ser jogador de futebol não cultiva esse sonho porque ouviu alguém falar sobre jogos de futebol, mas antes porque viu alguém jogando. Do mesmo modo, se você quer que seu filho tenha o hábito da leitura, ele precisa ter contacto com um leitor de carne e osso.
...
A força do exemplo me faz pensar na imagem mais antiga que levo na memória: meu pai lendo um livro à luz de um abajur no apartamento 13 da alameda Barão de Limeira. É impossível não gostar de livros, ou considerá-los uma tecnologia ultrapassada – como disse um líder das manifestações de rua – , quando se carrega na alma uma imagem tão simples e tão forte para sempre. E agradeço ao meu pai pelo exemplo. Graças ao amor pelos livros, sou um pouco menos burro e ignorante do que poderia ser.

Paulo carregou ao longo da vida a imagem do pai lendo à luz de um abajur e, graças a essa experiência, transformou-se em um grande escritor. Você tem de fazer o mesmo em sua casa: leia para que seu filho se transforme em um amante da leitura. No primeiro parágrafo ele nos apresenta um exemplo simplesmente fantástico: seu filho a fazer todos os gestos de uma prece antes de se alimentar, imitando as ações do pai – o que nos faz lembrar aquele trecho da “Poética” em que Aristóteles diz que o homem tende por natureza a imitar (embora o contexto seja obviamente outro). No dia-a-dia é possível perceber claramente que as crianças tendem a imitar alguma coisa. Portanto, caso você queira que seu filho ame a leitura e tenha o hábito de ler, ele precisará de um exemplo de leitor. E essa responsabilidade é quase que exclusiva dos pais.


Entrarei, agora, na técnica de leitura em voz alta propriamente dita. A primeira coisa a fazer é escolher um livro. Se se tratar de uma criança de 6 a 12 meses, opte por um livro com ilustrações, que chame a atenção dela, e lhe dê a oportunidade de manipular e folhear o livro. Para os bebês, indico os livros de pano ou de banho, cujo material facilita o manuseio. Depois disso, é preciso começar a ler a história. Leia-a uma primeira vez, mostrando as imagens para a criança.

Após a leitura, passe então à descrição das cenas presentes no livro. Faça uma descrição detalhada de cada cena. Se o livro traz, por exemplo, uma imagem de crianças se preparando para escovar os dentes, descreva os personagens (um menino e uma menina), as roupas que estão usando (um pijama de tal cor), diga porque estão subindo em um banquinho e o que estão pegando sobre a pia, fale que a água está escorrendo da torneira etc.

Caso seu filho já saiba falar, dê então início ao processo de nomeação. Aponte para uma parte da cena e peça que ele nomeie aquilo para o que você está apontando. Você também pode fazer o contrário: dizer uma palavra e pedir que a criança aponte para aquilo que você nomeou (por exemplo, “onde está o banquinho?”).


Uma segunda etapa é a evocação. Por meio de perguntas, leve a criança a outros episódios que não estão presentes na imagem em questão, mas que provavelmente aconteceram. Por exemplo, no caso da imagem das crianças escovando os dentes, provavelmente elas estavam dormindo antes de entrar no banheiro. Estimule, assim, a criança a imaginar uma cena que, embora não esteja ilustrada na página observada, contribuiu para que aquilo acontecesse. Com isso, você desenvolverá a linguagem evocativa.

Na leitura em voz alta você pode aplicar ainda outra técnica: a dramatização. Para tanto, mude sua entonação ao contar a história e dramatize-a para chamar a atenção da criança. Você pode em um dia usar uma entonação e em outro, uma entonação diferente. Isso é importante porque as crianças tendem a prestar mais atenção a tais aspectos prosódicos do que à realidade semântica do texto. No momento da nomeação, é evidente que você, desejando aumentar o vocabulário da criança, deverá chamar a atenção para o significado das palavras. Contudo, ao mesmo tempo, elas também estão atentas à forma como você lê, de modo que é importante conseguir fazer a dramatização da história.


Quais são os benefícios da leitura em voz alta para as crianças que estão na etapa que antecede a alfabetização? As pesquisas dizem que crianças entre 15 e 18 meses tendem a aprender uma palavra nova a cada sessão de exposição. Ou seja, basta apresentar uma palavra nova uma única vez à criança para que ela a absorva. Veja que fascinante! Isso não se repetirá com tanta força na vida de um indivíduo. Por isso é muito importante aproveitar o potencial que as crianças têm nesse período para memorizar palavras.

Outra questão importante: quando você lê um livro para uma criança, ela tem contacto com um vocabulário muito mais rico do que aquele usado no dia-a-dia – dependendo, é claro, das obras selecionadas. Na conversação quotidiana, durante o jantar ou brincando com seus filhos, você não nomeia tantas coisas quanto no momento da leitura. Com um livro nas mãos você tem a capacidade de nomear aproximadamente 10 vezes mais do que conversando no dia-a-dia com as crianças. Assim, a leitura de livros aumenta o vocabulário muito mais do que a exposição à linguagem oral.


Não tenha receio de escolher obras de escritores clássicos e consagrados. Este ano lemos na escola um livro inteiro da Cecília Meireles chamado “Ou isto ou aquilo”. Distribuí as poesias entre os alunos de 3 a 10 anos e a escola inteira leu o mesmo livro, ficando cada turma com 2 ou 3 poesias. Se a criança tem a capacidade de, por meio de uma única exposição, aprender uma palavra nova, por que não aproveitar esse momento para introduzir um vocabulário riquíssimo? Não tenha receio de ler livros de grandes autores da literatura brasileira por causa de um linguajar que ainda não é adequado para as crianças ou porque contêm palavras que elas ainda não conhecem. Nem tudo o que você lê para uma criança tem de fazer parte da realidade dela! Não tenha receio de ler os clássicos da literatura infantil!


Texto retirado daqui.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Ler em voz alta faz bem para o cérebro da criança.


Ler em voz alta faz bem para o cérebro da criança, aponta estudo.


Muito além da linguagem: pesquisa brasileira mostra que o contacto precoce com livros é importante para o desenvolvimento infantil.

Um trabalho recentemente publicado no Pediatrics, periódico da Associação Americana de Pediatria (AAP), demonstrou que ler em voz alta para os filhos traz benefícios para a cognição dos pais, além de melhorar memória e a inteligência dos pequenos.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores – da Universidade de São Paulo e do Instituto Alfa e Beto, de Brasília – testaram um programa de incentivo à leitura com crianças de 2 a 4 anos e seus pais.

No total, foram 566 famílias de baixa renda participantes, divididas em dois grupos, sendo que um recebeu livros e instruções periódicas sobre o assunto e o outro seguiu com as atividades normais do cotidiano.

Ao comparar os integrantes depois de nove meses de intervenção, os cientistas descobriram que as crianças que liam com os pais se saíam muito melhor em uma série de testes. E as benesses se estendem para toda a família.

Por exemplo, a cognição dos pais melhorou, assim como a dos pequenos, que também apresentaram memória de trabalho, vocabulário e coeficiente de inteligência (QI) maiores do que os encontrados no grupo que não leu. As punições físicas foram menores e, mais do que isso, a qualidade das interações entre cuidadores e filhos cresceu. Algo que, vamos combinar, anda em falta hoje em dia.

O estudo se junta a outros esforços da entidade norte-americana para promover hábitos que auxiliem na formação da mente das crianças. Segundo a AAP, são mais de 200 milhões de pequenos no mundo que não atingem seu potencial máximo de desenvolvimento, e programas de incentivo à leitura como o testado no estudo podem ajudar a reverter este quadro com um baixo custo.
Tanto que em 2014, a entidade já havia divulgado uma diretriz recomendando que os pais e cuidadores leiam para as crianças desde o nascimento, além de esforços para distribuir mais livros no país.

Aplicando na prática

Veja algumas dicas da AAP para começar a ler com seu filho logo no início da vida:

• No começo, a ideia é fazer o filho se acostumar e pegar gosto pelos livros. Assim que ele sentar no colo confortavelmente, por volta dos seis meses, comece a mostrar figuras e explicar o que está acontecendo nas páginas. Bater, morder e agarrar o livro são sinais de que ele está gostando, por isso tenha paciência. E prefira livros resistentes.

• Entre 1 e 2 anos, a leitura deve virar rotina. Diariamente leia histórias e pergunte onde está determinado objeto na página e outras questões simples sobre o livro, mas não espere atenção por grandes períodos. A qualidade do tempo importa mais do que a quantidade.

• Entre 2 e 3 anos, crianças amam rotina. Então não estranhe se o pequeno não quiser ler um livro novo e preferir repetir a mesma história mil vezes. Se o hábito se estabelecer, há uma grande chance de se firmar para o resto da vida.

• Conforme a criança cresce, fique de olho nos seus interesses. Se ela gosta de mar, por exemplo, tente livros de não ficção com imagens de animais do oceano.

Texto retirado daqui.